Extremos Cismáticos.

208Ei parece-me que está havendo ainda, uma pequena fração entre alguns “católicos” e “católicos”. Hoje vemos no cenário mundial uma grande aceitação da carismaticidade dentro da Igreja, e uma certa rejeição dos tradicionalistas e isso é real e quase que palpável. Mas recentemente houve a questão da proibição dos Franciscanos da Imaculada de realizarem o rito extraordinário da comunhão, e também a questão do cisma pós concilio Vaticano II da FSSPX, entre outros grupos, que se dizem salvaguardar a tradição da igreja, e no outro lado há os mais liberais onde se vê uma grande influência do pentecostalismo protestante, onde já houve também a nível pastoral, várias intervenções. Porém a de dizer com menos veemência que aos tradicionalistas.

Podemos constatar algo disto tudo, e agora dou minha opinião sobre o tema. Creio que há exageros grotescos de ambos os lados, tendo em vista aqui que tratamos de grupos extremistas, ou muito liberais ou muito tradicionais. Nos liberais, constatamos uma ausência de respeito à tradição milenar e um inculturação mundana, que ao invés de buscar cristianizar o mundo tenta de forma desrespeitosa mundanizar a Cristo, ou seja, fazendo o inverso do que deveria acontecer. O Papa Emérito Bento XVI enquanto cardeal escreveu um livro intitulado “Fé, Verdade e Tolerância” onde ele explicita a realidade do relativismo, e fala sobre a tentativa moderna de inculturação dentro da Igreja, e constata que é lícito sim muitas vezes, aceitar a liturgia específica de cada país ou região, porém antes de mais nada, há de se preservar o respeito ao sagrado, pois a cultura está sujeita a Deus e não ao contrário. Então o problema dos liberais é achar que na igreja se faz o carnaval que for sem que necessite antes se moldar a sua história. Alguns grupos até passando por cima de dogmas e usando da Igreja como trampolim para o sucesso, uma atitude deplorável e vergonhosa, onde não sei se podemos chamá-los de católicos.

E tem também o problema do tradicionalismo excessivo, popularmente conhecido como “Rad-trads” ou “sedvacantistas”. Os erros do tradicionalismo excessivo são mais perigosos por vários fatores, os libertinos cismáticos como os protestantes, eles de livre expressão já se dizem contrários ao ministério Petrino e as decisões de fé e moral da Igreja, se colocando do lado oposto do campo de batalha, onde facilmente conseguimos distinguí-los, porém o tradicionalismo se coloca como o novo magistério ao ponto de negar e até criticar publicamente concílios e até o Santo Padre, se colocando em uma posição superior ao Sagrado magistério da igreja, atitude que não é de cunho católico. Na Instrução sobre a vocação do teólogo, um documento da congregação para doutrina da fé de 2009 diz assim: Se, apesar de um leal esforço, as dificuldades (teologias) persistirem, é dever do teólogo fazer saber às autoridades magistrais os problemas suscitados pelo ensinamento em si mesmo, pelas justificações que lhe são propostas, ou ainda pela maneira com a qual é apresentado. Ele o fará com um espírito evangélico, com profundo desejo de resolver as dificuldades (…). Neste caso o teólogo evitará recorrer aos ‘mass-mídia’ ao invés de dirigir-se à autoridade responsável, porque não é exercendo, dessa maneira, pressão sobre a opinião pública, que se pode contribuir para o esclarecimento dos problemas doutrinais e servir a verdade.” (Paragrafo 30)

Este então deveria ser a contribuição dos tradicionalistas ao magistério, e não ir à mídia para fazer pressão e inflamar a fúria dos adeptos contra a madre Igreja, atitude que não ajuda em nada e serve de massa de manobra para a mídia secular. Quando estes tradicionais se julgam no dever de dizer o que está certo e o que esta errado nas decisões eclesiais, além de romper com a comunhão católica, causam uma disfunção na teologia eclesial, onde reconhecemos e aceitamos que na matéria de Fé e de moral a Igreja é infalível, é claro que pastoralmente pode haver equívocos, porém, devemos saber que muitas das decisões pastorais se incluem decisões morais e de fé também,  quando católicos através da mídia intervém dizendo o que é certo e o que é errado, se colocando acima do magistério causa um cisma pior que o cisma protestante, se cria uma fratura interna, onde o corpo fica machucado, por conta de uns que se acham no direito e autoridades Papais para “bater o martelo”. Antes de mais nada sabemos que tudo aquilo que não é de fé e moral pode ser debatido e como diz a Instrução sobre a vocação do teólogo, deve se refletir e levar as conclusões e problemas ao magistério, e não se fazer de revoltado e colocar-se a frente das autoridades eclesiais competentes.

O Papa Emérito Bento XVI enquanto teólogo sempre insistiu no relativismo, e todos os compreendem como sendo diretos e unicamente aos liberais, e é bem verdade também, mas também se aplica os tradicionalistas ao se julgarem extremamente fiéis; Alguns se tornam fiéis mais à Igreja de seu ego do que a igreja real, relativiza os documentos conciliares e até difamam o santo Papa; A questão da proibição da Missa no Rito extraordinário pelo Papa Francisco, sabemos pouco sobre o por que da proibição, mas devemos ter claro que nenhum Papa passa por cima de um “moto próprio” de seu antecessor, que já se disse muito benevolente a ele, há de se ter um explicação séria sobre a proibição, aliás o próprio Papa Francisco já disse que a “Missa antiga é intocável”. No demais alguém deve se lembrar do fator Divino da Igreja da qual ela é assistida pelo Espírito de Deus, e da promessa Divina que ela nunca desfaleceria (Mateus 16, 18), “eis que há uma promessa, não negarei que tenho muitas dificuldades para entender certas decisões da Igreja, mas antes de tudo como Católico eu devo obediência e amor, ao santo Padre e ao magistério, por mais que minha racionalidade não compreenda e me sinta desconfortável e temeroso quanto ao futuro da Igreja, Deus não mente, ele estará com sua Igreja até a consumação dos séculos, e esta promessa já me basta para confiar na Igreja e em suas decisões”, temos de entender a TRADIÇÃO sadia conservadora da fé e da moral cristã e separa-lo do tradicionalismo doentio que é ultrapassado e não serve mais aos nossos tempos atuais, a Igreja basicamente nasceu em Jerusalém com grupos pequenos de crentes que se reuniam em catacumbas para orar, sem muita pompa e depois com o tempo foi se integrando ao mundo romano e naturalmente ganhou corpo e se estruturou em grandes catedrais e revestido de ouro, justo, pois uma instituição divina merece ser bem coroada, como a noiva de Cristo aqui na terra, porém assim como evoluiu o tempo desde o século primeiro até a idade média, a Igreja evoluiu da idade média até nós também, e assim como a Igreja guardou a tradição e ensinamentos do século 1, devemos também guardar a tradição vinda da idade média, porém não estagnar no tempo, o mundo atual necessita de respostas novas, e precisa de formas diferentes de respondê-las nos dias atuais, porém, sempre fiel a Tradição viva da Igreja, e isto não é heresia, chega a ser uma constatação óbvia: o mundo precisa de respostas novas, com a sabedoria Tradicional. Ou eu sou Católico obediente a igreja ou sou mais um revoltado e cismático. Decidam o que vocês são!

É necessário ressaltar que há os Conservadores tradicionais e os Carismáticos (não relacionando a RCC) que são fiéis ao magistério e levam a vida rigorosamente fiel a Igreja.

Autor: Pedro Henrique Alves

Revisora: Pâmela Hervatin

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8 responses to “Extremos Cismáticos.

  1. Minhas opiniões:
    1 – Se fugimos da tradição, perdemos a identidade. Não somos como os protestantes, que só aceitam o que está escrito. Aceitamos o que está escrito e o magistério da Igreja, em sua tradição. Se esquecemos a tradição, saimos da Igreja, viramos protestantes. Então, que fique claro que tradição é bom. Vejamos em nossas liturgias ao longo do Brasil. Quanto abuso litúrgico. Vem, em parte da aceitação dos páracos e bispos disso acontecer. Mas vejamos, Roma diz para fazer isso? Não!!! Então, nossos padres Brasil afora são cismáticos??? Que ironia. Aí, nós que fugimos dessa influência leiga na liturgia, somos taxados de chatos ou cismáticos.

    2 – Sobre a RCC, já li que a CNBB já deu parecer desfavorável ao “repouso no Espírito” e sobre orar em línguas. Mas alguém cumpriu???

    3 – A fé católica não é uma fé água com açúcar, chorona e emotiva. Isso é protestantismo.

  2. Vale lembrar, que existem suas exceções, e que nem todo carismático, como você o disse é ligado a RCC. Principalmente os que andam, sem formação, falando e fazendo aberrações! Vigiemos!

  3. A questão é, o artigo em nenhum momento diz para fugir da Tradição José Miranda, pelo contrário, ele diz para se manterem firmes, porém a Tradição é guardada pelo Magistério, e não por grupos, o Magistério é o Deposito da Fé, não organizações católicas, devemos colocar as coisas no seu devido lugar!

  4. Ok mas deixa implícito que os tradicionalistas são cismáticos. Isso deixa. Concordo plenamente que há grupos extremistas, não concordo com eles. Ser tradicionalista não é ser contra o Santo Papa. É ir contra a secularização ou protestantização da Igreja. Mas há outro extremismo muito perigoso. É aquele praticado pelos católicos de domingo, muitas vezes relativistas e desconhecedores da tradição, que não pegam nada para ler. Esses, que são tocados por equipes litúrgicas que atuam livremente, sem censura do clero. Aliás, renovo a pergunta. Se o clero não censura o abuso litúrgico, há cisma? Esse extremismo silencioso e completamente morno é um perigo.

    • Sim meu caro, mas quanto ao clero ele já o faz, a congregação para doutrina da fé tem milhares de documentos litúrgicos, a questão do problema não esta no clero e sim na falta de obediência dos Padres, concordo que tem de se ter uma veemência maior do magistério, porem para quem quer ser fiel a Igreja já ensinou como, através do missal e do código de direito Canônico; não podemos subjulgar o magistério pela desobediência dos padres cismáticos, e sim há um nível de tradicionalismo excessivo que se torna cismático, por exemplo a Fraternidade São Pio X são ultra conservadores e rejeitaram o concilio Vaticano II, e mais algumas coisas, e hoje estão fora da comunhão coma santa sé!

  5. Participo da RCC e concordo que existem muitos abusos que acontecem nesse movimento, porém vai da diocese intervir. Na diocese de São José dos Campos, todos os que participam da RCC são CONVOCADOS à ter formações para que conheçam realmente a igreja, sua história, dogmas, etc… praticamente uma nova catequese, uma vez que concordamos que a catequese tem sido um câncer na igreja, pois os catequistas não sabem nada sobre a igreja e formam cristãos ignorantes.

    • Maria Leide Ferreira Vila

      isso,eu concordo,formações de catequistas muito fracas.A maioria não entendem o que Deus nos revela através da Bíblia,muitas crianças mal
      formadas,ficam até conhecerem a 1ªEucaristia e depois somem da igreja.Por que?
      fazem a 1ª Eucaristia e somem da igreja

  6. Deus vos abençoe meus queridos amigos,
    Parabéns pelo artigo!
    Vós tocais mesmo no âmago da questão!
    Finalmente encontrei alguém que partilha da mesma opinião que a minha em relação aos carismáticos e tradicionalistas católicos.
    Finalmente existe um blog católico que tem a coragem de denunciar os abusos e os extremismos dos tradicionalistas e que não aponta só os erros dos “liberais” extremistas!
    Jesus alertou-nos “Aí daqueles que causam os escândalos, mais valia que lhes atassem uma pedra ao pescoço e os mandassem ao mar!” As intrigas e as divisões entre os cristãos são escândalos!
    Por isso chega de cismas, de discórdias, de birras! Só juntos é que, nós cristãos, conseguiremos mostrar ao mundo que Jesus é a Salvação!
    Chega de guerras teológicas infantis que só desvirtuam o cristianismo… Chega de luta por poder!
    “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César!” Nada de mundanizar a missa e nada de “tradicionalizar ao extremo” a vida dos devotos!
    SÓ O AMOR NÓS FAZ ETERNOS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Abreijos em JESUS o Cristo
    André, PORTUGAL

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