A necessidade da Igreja Católica para a Salvação, Documentos do Concílio Vaticano II

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A tradição católica tem afirmado, constantemente, que a Igreja é necessária para a salvação, enquanto mediação histórica da obra redentora de Jesus Cristo. Essa convicção encontrou a sua expressão clássica no adágio de são Cipriano: “Salus extra Ecclesiam non est”87. (O Dogma “Extra Ecclesiam Nula Salus” foi promulgado em 1215 pelo IV Concílio de Latrão). O Concílio Vaticano II confirmou essa expressão de fé: “Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, (o Concílio) ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único Mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no Seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do Batismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,5), ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo como por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar” (Lumen gentium, 14). O Concílio se deteve, mais vezes, sobre o mistério da Igreja: “E porque a Igreja é em Cristo como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano” (Lumen gentium, 1); “Mas assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação” (Lumen gentium 8), . “Ressurgindo dos mortos (cf. Rm 6,9), enviou aos discípulos o Seu vivificante Espírito, e por Ele constituiu seu Corpo, que é a Igreja, como sacramento universal de salvação” (Lumen gentium, 48). O que chama atenção nessa citação é o alcance universal do papel de mediação que realiza a Igreja ao conceder a salvação de Deus: “a unidade de todo gênero humano”, “a salvação de (todos) os homens”, “sacramento universal de salvação”.

Diante de novos problemas e situações e de uma interpretação exclusiva do adágio “salus extra ecclesiam non est”88 nos últimos tempos, o Magistério articulou uma compreensão mais matizada do modo como pode ser realizada uma relação salvífica com a Igreja. A alocução do Papa Pio IX, Singulari Quadam (1854), expõe com clareza as questões implicadas: “Em virtude da fé se deve manter, por conseguinte, que fora da Igreja apostólica romana ninguém pode ser salvo, enquanto ela é a única arca da salvação. Quem não entrar nela, perecerá no dilúvio. Porém, deve-se, igualmente, ter como certo que aqueles que vivem em ignorância da verdadeira religião, e se esta ignorância é invencível, eles não estão implicados, por isso, em culpa alguma ante os olhos do Senhor”89.

Esclarecimentos posteriores oferece a Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston (1949): “Dado que não se requer sempre, para que um obtenha a salvação eterna, que esteja realmente (reapse) incorporado como membro da Igreja, mas se requer, pelo menos, que ele adira a mesma com o voto ou o desejo (voto et desiderio). Porém, não é necessário que esse voto seja sempre explícito, como sucede com os catecúmenos, mas quando o homem sofre de uma ignorância invencível. Deus aceita também um voto implícito, chamado com tal nome, porque é obtido com aquela boa disposição da alma pela qual o homem quer a sua vontade esteja conforme a vontade de Deus”90.

A vontade salvífica universal de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo, que compreende a Igreja como sacramento universal de salvação, encontra expressão no Concílio Vaticano II: “Todos os homens, pois, são chamados a esta católica unidade do Povo de Deus, que prefigura e promove a paz universal. A ela pertencem ou são ordenados de modos diversos quer os fiéis católicos, quer os outros crentes em Cristo, quer, enfim, todos os homens em geral, chamados à salvação pela graça de Deus” (Lumen gentium, 13). Que a mediação única e universal de Jesus Cristo se realiza no contexto de uma relação com a Igreja é ulteriormente reiterado pelo Magistério pontifício pós-conciliar. A propósito daqueles que não tiveram a oportunidade de chegar a conhecer ou de acolher a revelação do Evangelho, até, neste caso, a Encíclica Redemptoris missio tem a dizer: “A salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça, (dotada de) uma misteriosa relação com a Igreja”91.

Vejamos o que a Igreja fala sobre a salvação perante as “igrejas e comunidades separadas.”

“… as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significado no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude DERIVA da própria PLENITUDE  de Graça de VERDADE  confiada à IGREJA CATÓLICA.

Contudo, os irmãos separados, quer os indivíduos quer as suas Comunidades e Igrejas, NÃO gozam daquela unidade que Jesus quis prodigalizar a todos os que regenerou e convivificou  num só corpo e numa vida nova e que a Sagrada Escritura e a venerável Tradição da Igreja professam. Porque SÓ pela IGREJA CATÓLICA de Cristo, que É O MEIO GERAL DE SALVAÇÃO, pode ser atingida TODA a plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou TODOS os bens da Nova Aliança AO ÚNICO COLÉGIO APOSTÓLICO, cuja testa está em Pedro, com o fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo. É NECESSÁRIO que a ele se incorporem plenamente TODOS  os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus”

Concílio Vaticano II, Unitatis  Redintegratio, Parágrafo3. (Documento sobre o Ecumenismo)

Salvação por “Ignorância Invencível”

Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos): “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10,16). Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. Disse o Papa Paulo VI que “quem não ama a Igreja, não ama a Jesus Cristo”.
São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4), e afirma em seguida que: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade”. (1Tm 3,15)
O Catecismo afirma que: “A única Igreja de Cristo… subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele… (LG 8 ).” (§870)
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21,14); ela é indestrutível (Mt 16,18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14,25; 16,13; §869)

Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade.” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo explica que: “Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna”. (§848) Nesse caso, entra a Salvação por Ignorância Invencível.

“Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc16,16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:

“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)”. (Cat. §846)

Nesse caso, já não seria mais a Ignorância Invencível, porque sabem da verdade, mas preferem IGNORA-LA. “

Para citar: Site do Vaticano
Última parte: Prof.: Felipe Aquino

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