Monthly Archives: Dezembro 2013

São João Bosco – Breve Biografia de sua vida.

Fundador da Pia Sociedade São Francisco de Sales

(Salesianos de Dom Bosco –  SDB)

     

                                                  S. João Bosco nasceu em Castelnuovo d’Asti, Piemonte, Itália, a 16 de Agosto de 1815, numa família de camponeses pobres. Desde pequeno sentiu-se chamado a dedicar a sua vida aos jovens, mas para realizar o seu sonho teve de vencer numerosas dificuldades e sujeitar-se a grandes privações e sacrifícios. Ordenado sacerdote em 1841, gastou todas as energias da sua natureza e todo o arrojo do seu zelo incansável na criação de obras educativas para a juventude abandonada, na defesa da fé ameaçada das classes populares, e na atividade missionária de evangelização de terras longínquas.

                                                  A 5 de Agosto de 1872, São João Bosco, com outra Santa, Maria Domingas Mazzarello, fundou as Filhas de Maria Auxiliadora (F.M.A) para a educação e promoção das jovens.  Anos depois, fundou os “Salesianos Externos”, os “Cooperadores Salesianos”. São leigos que desejam partilhar os mesmos anseios educativos para o bem da juventude pobre.

                                                  Desta espiritualidade salesiana, desabrochou um amplo movimento salesiano: um instituto de leigas consagradas (as “voluntárias de Dom Bosco”); muitas Congregações que aderem a este estilo de vida e tantos “amigos de Dom Bosco”, que afetiva e operativamente se relacionam com este “mundo salesiano”. Com sentimento de humilde gratidão, cremos que esta família não nasceu apenas de projeto humano mas por iniciativa de Deus.

                                                  Recebem o nome de “Salesianos” as pessoas que pertencem à Família Salesiana de São João Bosco. A Família Salesiana foi fundada porSão João Bosco para a educação e promoção da juventude mais pobre e a classe popular. A 3 de Abril de 1874 a Igreja aprovou a Congregação Salesiana formada por Sacerdotes e Irmãos que se propõem serem “sinais e portadores do amor de Deus aos jovens, especialmente aos mais pobres”. O fundador deu a esta Congregação Religiosa o nome de “Sociedade de S. Francisco de Sales” porque a espiritualidade deste santo devia inspirar um estilo educativo que denominou “Sistema Preventivo”. Para distinguir esta Congregação de outros institutos inspirados também em S. Francisco de Sales, mas não fundados por S. João Bosco, os membros deste Instituto recebem a sigla de S.D.B. (Salesianos de Dom Bosco).

DECRETO PONTIFÍCIO (Por ocasião da canonização de Dom Bosco)

                                                  No decorrer do século XIX, quando por toda a  parte, chegavam à maturação os venenosos frutos de destruição da sociedade cristã, cujos germes haviam sido tão largamente disseminados pelo século anterior,  a Igreja,  principalmente na Itália, viu-se à mercê de muitas procelas contra si levantadas, nesses  tristes tempos, pela maldade dos  homens. Contemporaneamente, porém, a  misericórdia divina enviou, para auxílio de  sua Igreja,  válidos campeões,  para que evitassem a ruína e  conservassem entre o nosso povo a  mais preciosa das heranças recebidas dos Apóstolos – a fé genuína de Cristo.

                                                  De fato, no meio  das  dificuldades  daqueles  tempos, surgiram entre nós, homens de ilibadíssima santidade e, mercê de sua prodigiosa atividade, nenhum assalto dos inimigos, logrou desmantelar as muralhas de Israel. 

                                                  Sobressai entre os demais, por elevação  e espírito de grandeza de obras, o Bem-Aventurado João Bosco que, no tristíssimo evoluir dos tempos se constituiu, durante o século passado, qual marco miliário apontando aos  povos o caminho da  salvação.  Porquanto,  “Deus o suscitou para justiça”, segundo a expressão de Isaías, e “dirigiu todos os  seus passos”.  E, na verdade,   o Bem-aventurado João Bosco, por virtude do Espírito Santo, resplandeceu diante de nós como modelo de sacerdote feito segundo o coração de Deus, como educador inigualável da juventude, como  fundador de novas famílias religiosas e  como propagador da fé. 

                                                  De humilde condição, nasceu João Bosco numa  casa campestre, perto de “Castelnuovo d’Asti”, de  Francisco   e  Margarida Occhiena, pobres mas virtuosos cristãos, aos 16 de agosto de  1815.  Tendo perdido o pai na tenra idade de  dois anos, cresceu na piedade sob a  sábia e  santa guia materna. Desde menino, resplandeceu nele  uma índole excelente, a que andavam unidas  grande agudeza de  engenho e tenacidade de  memória, aprendendo num instante quanto lhe era ensinado pelos  mestres, primando sempre, sem contestação, nas classes, pela rapidez no aprender e facilidade de  intuição. 

                                                  Depois de  alguns anos de áspera e  laboriosa  pobreza,  que lhe rebusteceu a fibra, preparando-o para as mais árduas  provas,  com o consentimento da mãe e recomendação do bem-aventurado José Cafasso (*), entrou para o seminário de Chieri, onde,  por espaço de seis  anos, se dedicou com ótimo aproveitamento, aos estudos.   Recebeu, finalmente, a ordenação sacerdotal, em Turim, aos  05 de junho de  1841.  Poucos  meses após, admitido ao Colégio Eclesiástico de  São Francisco de Assis, sob a direção do bem-aventurado José Cafasso, exercitou com grande vantagem  das almas, o ministério sacerdoral nos hospitais,  nos cárceres, no confessionário e  na pregação da palavra de  Deus.

                                                  Formado assim neste exercício prático do  sagrado ministério, sentiu acender-se,  mais viva do que nunca em seu espírito,  a peculiar vocação alimentada por inspiração divina desde  sua adolescência, qual a  de  atender e dirigir para o bom caminho a  juventude, particularmente a  abandonada.  Sua perspicácia havia já intuído, de quanta utilidade devesse ser este meio para preservar a sociedade da  ruína a  que estava ameaçada e, para a atuação de tal desígnio, dirigiu os esforços de seu nobre coração com tão felizes resultados que, entre os educadores cristãos contemporâneos, figura ele  indubitavelmente,  em primeiro lugar.

                                                  O próprio nome “Oratório”, dado à sua instituição,  faz-nos ver  sobre quão firme base tenha construído todo o edifício, isto é,  sobre a doutrina e piedade cristã, sem a  que baldada se  torna, qualquer tentativa de  arrancar às paixões viciosas o coração dos jovens e endereça-lo para ideais  mais nobres.  Nisto, porém,  usava ele tanta doçura que os jovens quase que, espontaneamente, sorviam e amavam a  piedade, não já constrangidos, mas por verdadeira convicção, e uma vez  ganho seu afeto, levá-los-ia sem dificuldade  para o bem. 

                                                  A fim de perpetuar a  existência de sua obra e  prover assim mais eficazmente a  educação juvenil, animado pelo Bem-aventurado José Cafasso e pelo Papa Pio IX, de santa memória,  fundou a “Pia Sociedade de  São Francisco de Sales” e, algum tempo depois, o “Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora”. 

                                                  Hoje as  duas famílias formam  um conjunto de  quase  vinte mil membros,  espalhados por todo o mundo em cerca de  mil e quinhentas Casas.  Milhares e milhares de crianças de ambos os sexos recebem sua formação literária e profissional.  Seus  Filhos e  Filhas também  se encarregam , generosamente,  da assistência aos  enfermos e aos leprosos e, alguns deles, contraindo este terrível  morbo,  sucumbiram  vítimas  de sua caridade.  Dignos  filhos de tão grande Pai!

                                                  Nem deve  passar desapercebida a  instituição dos  Cooperadores, isto é,  uma associação de fiéis, em sua maioria  leigos que,  animados do  mesmo espírito da  Sociedade Salesiana e  como essa  dispostos a  qualquer obra de caridade,  tem por escopo prestar, segundo as  circunstâncias,  válido  auxílio aos  párocos, aos  bispos  e ao mesmo Sumo  Pontífice.  Primeiro e notável  ensaio de  “”Ação católica!”

                                                  A Associação  foi aprovada por Pio IX e,  em vida ainda do bem-aventurado Jão Bosco,  alcançou  a  cifra de oitenta  mil sócios. 

                                                  Mas, o zelo das almas que lhe ardia no peito,  não se limitou tão somente ao  círculo das  nações católicas;  alargando o  horizonte de sua caridade, enviou os missionários de  sua família religiosa à conquista dos gentios  para Cristo. 

                                                  Aos primeiros que,  chefiados por João Cagliero, de santa e gloriosa  memória, se dedicaram  à evangelização das extremas terras da  América  Meridional, surgiram muitos e  muitos  outros  salesianos que espalhados agora aqui e ali pelo mundo,  levam intrepidamente o cristianismo aos povos infiéis.

                                                  Quantas e quão grandes coisas  tenha ele  feito e  padecido pela  Igreja e  pela tutela dos direitos do romano Pontífice, seria difícil dizer-se.  Pode-se  aplicar, portanto, ao bem-aventurado João Bosco, as palavras que temos de Salomão:  Deus lhe deu sapiência e prudência  extremamente grande,  e magnitude imensurável como a areia  que está na praia do mar.  (3 Re,  4, 29).   Deu-lhe Deus sapiência,  pois que, renunciando a  todas as coisas terrenas, aspirou unicamente promover a  glória de Deus e a  salvação das almas. Era seu mote:  “Dai-me as  almas e ficai-vos com o resto”.

                                                  Cultivou em grau supremo a  humildade;  tornou-se insigne no espírito de oração, tendo a mente sempre unida a Deus,  se  bem que parecesse continuamente distraída por uma multidão de afazeres. 

                                                  Nutria  extraordinária devoção para com Maria Santíssima Auxiliadora,  e  experimentou inefável alegria quando pode  edificar em sua honra, na cidade de  Turim,  o célebre templo, do alto de  cuja cúpula campeia a  Virgem Auxiliadora, Mãe e  Rainha, sobre toda a casa de Valdoco. 

                                                  Morreu  santamente no Senhor, em Turim,  aos  31 de janeiro de  1888.  Crescendo, dia a dia,  sua fama de santidade, foram, pela Autoridade Ordinária, instaurados os processos;  a causa da beatificação foi introduzida por Pio X, de santa memória, em 1907.  A Beatificação foi depois solenemente celebrada na Basílica Vaticana, com regozijo de  toda a Igreja, no dia 2 de junho de 1929. 

                                                  Reencetada a  Causa no ano seguinte, foram feitos os processos sobre duas curas que pareciam devessem ser atribuídas a  milagre divino. Pelo decreto de 19 de novembro deste ano,  foram aprovados os dois milagres operados por Deus e  atribuídos à intercessão do Bem-aventurado. 

                                                  Desfeita a última dúvida, isto é,  se  em vista da aprovação dos  dois  milagres, depois que a Santa Sé concedera culto público ao Bem-aventurado,  se poderia  proceder com segurança à sua solene  Canonização.  Esta dúvida  foi proposta ao Eminentíssimo Cardeal Alexandre Verde, Ponente ou Relator da Causa, na Congregação geral da S.C. dos Ritos, realizada em presença do Santo Padre no dia 28 de novembro.  Todos os eminentíssimos Cardeais presentes, Oficiais, Prelados e  Padres Consultores deram parecer unânime e  afirmativo, parecer que o Santo Padre jubilosamente aceitou, deferindo, todavia, o seu juízo para o dia 3 de dezembro, primeiro domingo do advento. Portanto, o Santo Padre, em 3 de dezembro de  1933, dia também consagrado a São Francisco Xavier,  padroeiro da Obra da Propagação da fé, fez a solene  declaração neste sentido.  A canonização teve lugar a 1 de abril de  1934, no dia da Ressurreição, último Ano Santo da Redenção, na presença de toda a  Corte Pontifical, no meio de um esplendor extraordinário,  diante de perto de  300.000 pessoas. 

(*) São José Cafasso – canonizado em 1947 pelo Papa Pio XII. (Consta no texto como “bem-aventurado” porque o decreto pontifício é anterior à  sua canonização.)

Corpo Incorrupto de São João Bosco, Basílica de Maria Auxiliadora; Turim – Itália

Fonte: paginaoriente.com

Postado por: Rafael Mant

 

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O Batismo de Crianças no Evangelho

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São Pedro no livro de Atos batizou mais ou menos três mil pessoas. At 2,41: “Os que aceitaram as palavras de Pedro RECEBERAM O BATISMO. Naquele dia, foram acrescentadas mais ou menos três mil pessoas”. Dessas três mil pessoas batizadas, será que tinha alguma criança? É só observar dois versículos antes que veremos que as promessas não são só para os adultos. At 2,39: “Pois a promessa É PARA VÓS E VOSSOS FILHOS”.
Era um costume apostólico batizar famílias inteiras, como Paulo batizava. Em At 16,15 Paulo batiza TODA A FAMÍLIA DE LÍDIA. Em At 16,33 Paulo batiza TODOS OS FAMILIARES DO CARCEIREIRO. E em 1Co 1,16 Paulo batiza A FAMÍLIA DE ESTÉFANAS. Muitos líderes proíbem o batismo de crianças indo totalmente contra o evangelho. O batismo é o primeiro sacramento da Nova Aliança, da mesma forma que a circuncisão era a primeira imposição da lei veterotestamentária. Muitos líderes por ignorância ou sectarismo, batizam a pessoa pela segunda vez, indo contra o evangelho. Ef 4,5: “Há um só Senhor, uma só fé, UM SÓ BATISMO”.
O batismo está para os cristãos como a circuncisão está para os judeus. E a circuncisão era feita no OITAVO DIA DE NASCIDO (Gn 17,12). Cl 2,11-12: “Nele fostes circuncidados, por circuncisão NÃO FEITA POR MÃO DE HOMEM, mas pelo desvestimento da vossa natureza carnal: Essa é a circuncisão de Cristo. FOSTES SEPULTADOS COM ELE NO BATISMO, também com Ele ressuscitastes, pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos”.
Existem muitas perguntas sobre batismo de crianças como: “Como pode uma criança ser batizada se a criança não tem nenhum pecado?”. Rm 5,12: “Eis porque: Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou A TODOS OS HOMENS, PORQUE TODOS PECARAM”. Todos nós somos pecadores pela essência pecaminosa herdada de Adão, e o fato da criança não ter pecado cometido, não significa que ela não pode ser batizada, pois Jesus também não tinha pecado cometido e foi batizado aos 30 anos.
Como vimos em Colossenses 2,11-12 o batismo é a circuncião da Nova Aliança, e a circuncisão equivale ao batismo da velha aliança. Só que a circuncisão é uma ritualística da lei mosaica, e o batismo é um sacramento para os cristãos. 1Co 10,2: “Na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés”. A igreja primitiva tem vários escritos sobre batismo: Orígenes (185 – 255 d.C.) escreveu: “A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar batismo aos RECÉM-NASCIDOS” (epíst. Ad rom. Livro 5,9). Esse escrito de Orígenes confirma o que Paulo diz em Cl 2,11-12 e o batismo de famílias inteiras em At 16,15 e 33 e 1Co 1,16. Caso contrário, o evangelho falaria a respeito. São Cipriano (258 d.C.) disse: “Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças” (carta à Fido). São Cipriano confirma o que o próprio Jesus disse. Lc 18,16: “Jesus, porém chamou-as, dizendo: ‘DEIXAI AS CRIANCINHAS VIREM A MIM E NÃO AS IMPEÇAIS, POIS DELAS É O REINO DE DEUS’”.
Quanto à questão de o batismo ser por aspersão ou imersão, o evangelho mostra as duas formas. O termo “batismo – βάπτισμα” vem de mergulho, e daí deriva o nome “Batista”. E JOÃO BATISTA BATIZAVA POR IMERSÃO, pois viveu antes do Calvário. Depois da ressurreição de Cristo, podemos ver o batismo por aspersão, como os batismos feitos por São Paulo. Em At 9,17-18 Paulo estava na casa de Judas e não tinha mar, riacho ou algo do tipo dentro de uma casa. Como também em At 18,7-8 o batismo foi realizado dentro da casa de Tício.
O batismo é um dos sete sacramentos da Igreja, e seus efeitos são essencialmente dois: A purificação dos pecados e o novo nascimento do espírito.

Autor: Paulo Leitão de Gregório – Ex-pastor protestante.

Papa Francisco contra os conservadores extremistas.

05É quase óbvio notar que o Papa Francisco não será dos Papas mais teológicos ou que fará promulgações estupendas sobre proibições, pois seus estilo missionário esta mais ligado a procura de novas formas de evangelizar um mundo relativista e secularizado pelas ideologias, mas isso não fará dele mais ou menus dócil sobre questões que vai contra o bem da Igreja, na sua exortação “Evangelii Gaudium” ele usa várias vezes termos como sair do comodismo paroquial, ou sair da religiosidades fúteis, eu como blogueiro e escritor católico venho percebendo certas tendências dos fiéis, um deles e se agarrarem ou em ideologias ou em uma sacralidade medieval, buscando achar um ponto de equilíbrio entre o progressismo liberal e o conservadorismo radical, e nesta busca de achar um ponto exato, muitos buscam revolucionar a Igreja, ou traze-la para a Igreja medieval; parecendo transparecer um desespero de convencimento, impondo sobre todos seus pontos de vista como se tivessem sidos encarregados de ser portadores da verdade.

Nos meus últimos artigos eu venho dizendo o quanto ambos os extremos o progressismo e o conservadorismo extremo são um mal a Igreja, mas como eu tinha e tenho a convicção que o conservadorismo é muito mais nocivo a Igreja e ao fiéis, porquê insisto nesta preocupação? Por vários motivos, mas principalmente por que este conservadorismos extremos esta não só conseguindo adeptos mas como afastando muitos da Igreja na mesma proporção, no Inicio da exortação Papal acima citada deixa clara a Ideia do Papa de transmitir o essencial da Fé primeiro e não impor doutrinas ou leis a serem cumpridas, no paragrafo 35 lemos o seguinte: “… o anúncio concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário. A proposta acaba simplificada, sem com isso perder a profundidade e VERDADE, e assim se torna mais convincente e radiosa.” O Papa está preocupado em transmitir a mesma fé de sempre porém com simplicidade e entendimento a todos os ouvidos, ao passo que os red-trades querem impor a todo custo suas moralidades, e doutrinas a pessoas que não tem nem mesmo a capacidade de saber em que acreditam ainda. Existe uma sequência a ser seguida, uma estratégia a ser traçada, e não simplesmente jogar como leis aquilo que deveria ser entendido em um momento pós conversão, quando a proposta doutrinal da Igreja deixa de ser proposta e passa a ser imposta ela perde toda sua beleza evangelizadora e passa a ser o fardo que Jesus queria aliviar do povo bíblico que passava a mesma situação com a imposições farisaicas.

03 “Todas as verdade reveladas procedem da mesma fonte divina e são acreditadas com a mesma fé, mas algumas delas são mais importantes por exprimir mais diretamente o coração do Evangelho” paragrafo 36,  O essencial do Evangelho primeiramente é o Amor de Deus, o sacrifício do calvário, e ressurreição de Cristo, são estes pontos primordiais de Amor, caridade e  misericórdia que levaram a libertação do julgo pesado do farisaísmo e a conversão dos primeiros cristãos, onde eles entenderam que Jesus era aquele que não veio somente para libertar o povo do julgo judaico farisaico, mas para libertar a Alma do pecado, enquanto o essencial do Evangelho nos mostra a beleza salvífica de Jesus, os conservadores extremistas discutem se é mais lícito usar saias ou calças, ou se o Padre foi mais ou menus paramentado, sendo que estes aspectos secundários devem ser discutidos quando o aspecto principal que é o núcleo do evangelho estiver sendo posto em prática. Ao que parece esta atitude de impor pesos doutrinais ao outros é uma forma de compartilhar frustrações pessoais ou querer prender os outros naquilo que egocentricamente se acha ser o manual para a salvação, não se pode chegar a um ponto que se ache que o comprimento a risca de modéstia ou liturgias certas ou erradas é o passo para a salvação, antes há de ter uma vida convertida e aberto a todos os âmbitos evangélicos, tais como a caridade, não é lícito julgar erros sem olhar antes para si, nem muito menos tratar com olhar superior aqueles que ainda não compreendem o valor do sagrado mas antes responder com caridade aqueles que necessitam de ajuda, ao passo de cumprir nas entrelinhas as prescrições doutrinais e deixar por vazio atitudes de ajuda ao próximo. Devem ser revistas as questões a qual se da importância, se achar superior por cumprir preceitos medievais, ser autoritário como se tivesse recebido da Igreja a missão direta de ser juiz de costumes, como esperamos chegar a todos com esse antropocentrismo radical, como poderemos chegar a exigir de um Padre questões secundárias da fé, sem antes cumprir os mais urgentes anseios humanos, a Igreja veio para salvação das almas, mas se não sairmos de nossos acentos para evangelizar a todos, de que valia terá impor prescrições a estes? Como se chega em um católico que não se interessa na missa e nem vê seu valor e o forçar a entender o valor da missa Antiga? Como chegaremos em uma Jovem católica que se veste com roupas inadequadas e impor a ela que use saias e roupas modestas sem antes apresenta-las Jesus que liberta e o exemplo de Maria? Se fizermos o primeiro passo evangelizador e depois colhermos os frutos da conversão sincera, talvez nem precisaremos de argumentos persuasivos para mostrar a importância, litúrgica, das vestes, ou doutrinas pois para o cumprimento do preceitos morais em um coração convertido já não é mais um peso mais uma gratidão de aprofundamento espiritual.

Autor: Pedro Henrique

Para citar: ALVES, Pedro Henrique, Estratégia de Francisco Acesse em: https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2013/12/21/estrategia-de-francisco/

Breve Catequese: Igreja Romana e Igreja Ortodoxa, o que aconteceu?

13Creio que todos em algum momento da suas vidas já ouviram os termos “Igreja Ortodoxa” ou “Igreja do Oriente”, as vestes se assemelham e as doutrinas salvo algumas concepções também são parecidas, mas perceba que eu disse parecida e não igual, bom vamos conhecer a história desta Igreja e como ela se separou da Igreja Romana.

O cisma ou separação da Igreja do oriente com a Igreja Romana foi o primeiro grande cisma no cristianismo que aconteceu no ano de 1054, por motivos mais políticos do que doutrinários. A Igreja Ortodoxa que tinha sua base primaria em Constantinopla, e antes de 1054 tinha plena comunhão com a Igreja Romana, porém a Igreja do Oriente queria ter a mesma primazia de Roma, mas isso não aconteceu, o máximo foi o reconhecimento de segunda maior sede do Cristianismo mas não a Igualdade que eles esperavam, e então através de uma mudança no credo Niceno-constantinopolitano que é o credo completo pronunciado em todas as Igrejas submissas a Roma, onde nesse 12credo foi colocado que o Espírito Santo vinha diretamente do Pai e do Filho, mas para os Ortodoxos o Espírito Santo vem somente de Deus Pai, algo totalmente interpretativo já que as três pessoas da Trindade Santas são uma não havendo separação de divindades por isso a promulgação que o espírito Santo provem do pai e do Filho tal doutrina conhecida como “Filioque”, depois da Igreja Católica sagrar o Sacro-Império Romano que para os Orientais era um erro e aproveitando então este momento de abalo político entre o oriente e o ocidente Cristão por conta de doutrinas e coisas políticas, houve o conhecido “Grande Cisma”, que já sofriam abalos há tempos por questões de linguagens entre o Grego e o Latim que dificultava e muito o dialogo entre o oriente e o ocidente, muitas vezes deixando pendentes questões doutrinárias importantes, eis ai depois a questão da Igreja colocar o Latim como língua universal para os católicos, sem falar tradições litúrgicas, como os pães usados na Eucaristia, as vestes, celibato do clero, as datas festivas e etc.

Foi assim que se deu a separação da Igreja Ortodoxa da Igreja Católica Romana, porém ao contrário de outras Igrejas que se separaram da Igreja Católica Romana, a Igreja Romana reconhece a apóstolicidade da Igreja Ortodoxa, isso por que a Igreja Ortodoxa tinha em meio aqueles que se separaram da Igreja Romana Cardeais e bispos, que são os sucessores diretos dos Apóstolos, então apesar de separados da Igreja e não reconhecendo o Papa como líder supremo da Igreja terrena, eles tem a sucessão apostólica.

14Após o Concilio Vaticano II as duas Igrejas se aproximaram muito e após o concilio citado houve a revogação da excomunhão feito por Roma e por Constantinopla o representante do oriente, ao ponto que desde aquele cisma 1054 não havia dialogo algum entre eles, hoje há uma proximidade através do dialogo Ecumênico que anda muito bem. Como Cristão Católicos que somos, devemos respeito a eles já que possuem também sucessão apostólica, e apesar de suas concepções doutrinárias diferente das nossas, dentre as Igrejas cismáticas ela é a Igreja que mais se aproxima de nossas tradições e costumes.

Autor: Pedro Henrique Alves

Para citar: ALVES, Pedro Henrique, Breve Catequese: Igreja Romana e Igreja Ortodoxa, o que aconteceu?, acesse: <https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2013/12/20/breve-catequese-igreja-romana-e-igreja-ortodoxa-o-que-aconteceu/&gt;

ORTODOXIA X LIVRE PENSAR? Uma crítica ao progressismo liberal.

10Existe hoje um grande embate sobre duas questões: a ortodoxia e o livre pensar, este assunto largamente debatido no Livro “Introdução à vida intelectual” do senhor Pe. João Batista Libanio trata a ortodoxia como inimiga do livre pensamento, não somente isso mas como sendo contraria a razão. Não é de hoje que este tema vem sendo tratado por vários filósofos. No livro citado acima na página 77 e 78 vemos escrito o seguinte: “os guardiões das ortodoxias e censores de plantão costumam ser pouco honesto. Condenam antes de saber de que se trata. Têm mais faro que inteligência, mais instinto que razão, mais paixão que serenidade, mais zelo doentio que honestidade.”

Gostaria de fazer algumas reflexões, me parece pouco histórico esta afirmação pois constatamos que grandes mentes do todos os tempos que vem de um ortodoxia cultural e de pensar/ortodoxo exemplos: Agostinho, defensor assíduo da ortodoxia, São Tomás de Aquino, Santo Anselmo, GK Chesterton a qual tem até um livro intitulado “ortodoxia”, Joseph Ratzinger o maior teólogo Vivo e outros. No que concerne a sua opinião de que em famílias tradicionais não se desenvolve um pensamento crítico verdadeiro devo lhe informar, que a tradição em nada influencia o querer pensar, já que o mesmo parte da vontade pessoal, entre outras devo constatar que a tradição coloca-nos em uma atmosfera segura de valores, mas não impede um verdadeiro pensador de explorar outras tradições e possibilidades, basta seguir os exemplos acima citados, todos estavam estruturados em uma família tradicional, a questão a priori que vejo dos progressistas como o autor citado, é um grande medo de que a ortodoxia mostre que os avanços morais, éticos, filosóficos ou teológicos que eles procuram já estejam à amostra a séculos pelo pensamento tradicional. A ortodoxia não  limita o pensamento mas sim da um porto seguro ao intelecto, pois muitas vezes se faz a analogia de que quem pensa progressivamente se solta em mar aberto explorando a vastidão do conhecer, mas o ortodoxo faz o mesmo e pode ir até mais longe, sabendo que quando apertar a dúvida ou quando se perder o rumo, pode voltar ao porto (Ortodoxia) e se agarrar na sua sabedoria, consultar e comparar as descobertas com o deposito do conhecer que é a Tradição, e novamente voltar ao mar.

11Finalizo dizendo que pouco se sabe até onde o progressista poderá chegar pois sem aonde se refugiar, sem valores específicos a que se agarrar, o próprio relativismo pseudo-intelectual se esvai e cai preso no dogmatismo liberal, acaba aceitando o relativo como seu sua única regra de conduta, o progressista esta apenas a deriva dos idealismos vigentes de sua época, enquanto a verdade que tanto almeja a filosofia fica escondida atrás do suposto pensamento atualizado, aonde se pensa muito pouco, se discute as entrelinhas de um saber imenso sem chegar à uma conclusão efetiva, se dá muitos rodapés, mas conteúdos quase nada, apenas migalhas do que sobrou do verdadeiro pensamento livre, a ortodoxia, o pensamento ortodoxo fizeram homens mundialmente reconhecidos pela suas capacidades intelectuais, e agora tentar-se-á dizer que a ortodoxia prende o desenvolver intelectual, o mínimo que podemos contatar é uma falta de profissionalismo a troco de fazer uma ideia parecer a mais razoável. Constato que as pessoas saem da Igreja por se dizerem presas em seus dogmas, e acabam se enjaulando nas suas próprias concepções de liberdade.

Autor: Pedro Henrique Alves

Breve Catequese: Pilares da Fé católica

Lgfb'04 http://lgfb.vanet.com.brNossa fé católica é constituída de três pilares sólidos, o que quer dizer isso? Quer dizer que nossa Igreja busca as verdades de fé para levar ao seu povo através de três fontes inesgotáveis, que são: A Sagradas Escrituras, Sagrada Tradição, e o Sagrado Magistério. Através destes três pilares fundamentais a Igreja nos revela com segurança e sem equivoco as doutrinas e ensinamentos divinos confiado a Igreja.

A Sagradas escrituras: as escrituras sagradas ou Bíblia como conhecemos constituem o pilar da revelação direta e histórica da vida de Cristo, a bíblia é basicamente a única fonte histórica de nosso Senhor Jesus e através dela temos a confirmação para várias doutrinas, por exemplo: Batismo, Eucaristia, Virgindade de Maria, Divindade de Jesus, intercessão dos Santos e outras mais.

Na sagrada Tradição temos um dos pilares mais fortes e inesgotáveis, ela nos trouxe verdades de fé a complementar a bíblia, através dos costumes e escritos dos primeiros cristãos. Por exemplo através da Tradição, temos o culto de veneração a virgem Maria, validade das imagens como ícones religiosos, a sucessão apostólica e a lista dos primeiros papas, e etc…

No sagrado magistério temos a autoridade transferida aos apóstolos e ao Primado petrino o Papa, através dele temos nossos dogmas de fé que no total são 43 dogmas subdivididos em 8 categorias, Dogmas sobre Deus, sobre Jesus Cristo, a Criação, sobre o ser humano, dogmas marianos, sobre o papa e a Igreja, sobre o sacramentos e por ultimo o dogma sobre as ultimas coisas. Neste sagrado magistério eles como apóstolos de Cristo nos instrui a verdade de fé e assim como diz nosso catecismo no Paragrafo 89, nos dão uma luz segura sobre a verdade que Deus nos confiou viver.

Nenhum dos três pilares são usados em contrariedade com outros dois, pelo contrário antes de ser promulgado uma doutrina há de se ter uma conformidade entre elas, essa é a coerência Santa e magnifica de nossos fundamentos católicos!

 

Autor: Pedro Henrique Alves

Nova entrevista do Papa aonde ele deixa Claro em poucas palavras que não é marxista!

IHU – “O Natal para mim é esperança e ternura…”.Francisco relata ao La Stampa o seu primeiro Natal como bispo de Roma.

Casa Santa Marta, terça-feira, 10 de dezembro, 12h50min. O papa nos acolhe em uma sala ao lado do refeitório. O encontro duraria uma hora e meia. Por duas vezes, durante a conversa, desaparece do rosto de Francisco a serenidade que todo o mundo aprendeu a conhecer, quando ele se refere ao sofrimento inocente das crianças e fala da tragédia da fome no mundo.

Na entrevista, o papa também fala das relações com as outras confissões cristãs e do “ecumenismo de sangue” que as une na perseguição. Ele se refere às questões do casamento e da família que serão abordadas pelo próximo Sínodo, responde aos que o criticaram nos EUA definindo-o como ”um marxista” e fala da relação entre Igreja e política.

 

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada no jornal La Stampa, 15-12-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis a entrevista.

O que significa o Natal para o senhor?

É o encontro com Jesus. Deus sempre procurou o seu povo, conduziu-o, conservou-o, prometeu estar sempre perto dele. No livro do Deuteronômio, lemos que Deus caminha conosco, nos conduz pela mão como um pai faz com o filho. Isso é bonito. O Natal é o encontro de Deus com o seu povo. E é também uma consolação, um mistério de consolação. Muitas vezes, depois da missa da meia-noite, eu passei algumas horas sozinho, na capela, antes de celebrar a missa da aurora. Com esse sentimento de profunda consolação e paz. Lembro uma vez aqui em Roma, acho que era o Natal de 1974, uma noite de oração depois da missa na residência do Centro Astalli. Para mim, o Natal sempre foi isto: contemplar a visita de Deus ao seu povo.

O que o Natal diz ao homem de hoje?

Ele nos fala da ternura e da esperança. Deus, encontrando-nos, nos diz duas coisas. A primeira é: tenham esperança. Deus sempre abre as portas, nunca as fecha. Ele é o pai que abre as portas. Segundo: não tenham medo da ternura. Quando os cristãos se esquecem da esperança e da ternura, tornam-se uma Igreja fria, que não sabe para onde ir e se refreia nas ideologias, nas atitudes mundanas. Enquanto a simplicidade de Deus te diz: segue em frente, eu sou um Pai que te acaricia. Tenho medo quando os cristãos perdem a esperança e a capacidade de abraçar e acariciar. Talvez por isso, olhando para o futuro, eu falo muitas vezes das crianças e dos idosos, isto é, dos mais indefesos. Na minha vida de padre, indo à paróquia, eu sempre tentei transmitir essa ternura, especialmente às crianças e aos idosos. Me faz bem e me faz pensar na ternura que Deus tem por nós.

Como se pode acreditar que Deus, considerado pelas religiões como infinito e onipotente, se faz tão pequeno?

Os Padres gregos chamavam isso de synkatabasis, condescendência divina. Deus que desce e está conosco. É um dos mistérios de Deus. Em Belém, no ano 2000, João Paulo II disse que Deus se tornou uma criança totalmente dependente dos cuidados de um pai e de uma mãe. Por isso, o Natal nos dá tanta alegria. Não nos sentimos mais sozinhos, Deus desceu para estar conosco. Jesus se fez um de nós e sofreu por nós na cruz, o fim mais horrível, o de um criminoso.

O Natal é apresentado muitas vezes como fábula açucarada. Mas Deus nasce em um mundo onde há também muito sofrimento e miséria.

O que lemos nos Evangelhos é um anúncio de alegria. Os evangelistas descreveram uma alegria. Não se fazem considerações sobre o mundo injusto, sobre como Deus faz para nascer em um mundo assim. Tudo isso é fruto de uma contemplação nossa: os pobres, a criança que deve nascer na precariedade. O Natal não foi a denúncia da desigualdade social, da pobreza, mas sim um anúncio de alegria. Todo o resto são consequências que nós tiramos. Algumas certas, algumas menos certas, outras ainda ideologizadas. O Natal é alegria, alegria religiosa, alegria de Deus, interior, de luz e de paz. Quando não se tem a capacidade ou se está em uma situação humana que não permite compreender essa alegria, vive-se a festa com a alegria mundana. Mas, entre a alegria profunda e a alegria mundana, há diferença.

É o seu primeiro Natal [como papa], em um mundo onde não faltam conflitos e guerras…

Deus nunca dá um dom a quem não é capaz de recebê-lo. Se Ele nos oferece o dom do Natal é porque todos nós temos a capacidade de compreendê-lo e recebê-lo. Todos, desde o mais santo ao mais pecador, do mais limpo ao mais corrupto. O corrupto também tem essa capacidade: pobrezinho, talvez a tenha um pouco enferrujada, mas a tem. O Natal, neste tempo de conflitos, é um chamado de Deus, que nos dá esse dom. Queremos recebê-lo ou preferimos outros presentes? Este Natal, em um mundo conturbado pelas guerras, me faz pensar na paciência de Deus. A principal virtude de Deus explicitada na Bíblia é que Ele é amor. Ele nos espera, nunca se cansa de nos esperar. Ele dá o dom e depois nos espera. Isso também acontece na vida de cada um de nós. Há aqueles que o ignoram. Mas Deus é paciente, e a paz, a serenidade da noite de Natal é um reflexo da paciência de Deus conosco.

Em janeiro, serão 50 anos da histórica viagem de Paulo VI à Terra Santa. O senhor também irá?

O Natal sempre nos faz pensar em Belém, e Belém está um ponto preciso, na Terra Santa, onde Jesus viveu. Na noite de Natal, eu penso acima de tudo nos cristãos que vivem lá, naqueles que têm dificuldades, em muitos deles que tiveram de deixar aquela terra por vários problemas. Mas Belém continua sendo Belém. Deus veio em um ponto determinado, em uma terra determinada, lá apareceu a ternura de Deus, a graça de Deus. Não podemos pensar no Natal sem pensar naTerra Santa. Cinquenta anos atrás, Paulo VI teve a coragem de sair para ir lá, e assim começou a época das viagens papais. Eu também desejo ir até lá, para encontrar o meu irmão Bartolomeu, patriarca de Constantinopla, e com ele comemorar esse cinquentenário, renovando o abraço entre o Papa Montini e Atenágoras, ocorrido em Jerusalémem 1964. Estamos nos preparando para isso.

O senhor encontrou-se várias vezes com as crianças gravemente doentes. O que se pode dizer diante desse sofrimento inocente?

Um mestre de vida para mim foi Dostoiévski, e aquela sua pergunta, explícita e implícita, sempre girou no meu coração: por que as crianças sofrem? Não há explicação. Vem-me esta imagem: em um certo ponto da sua vida, a criança se “desperta”, não entende muitas coisas, se sente ameaçada, começa a fazer perguntas ao pai ou à mãe. É a idade dos “porquês”. Mas, quando o filho pergunta, ele não ouve tudo o que você tem a dizer. Ele logo pressiona você com novos “porquês”. O que ele busca, mais do que a explicação, é o olhar do pai que dá segurança. Diante de uma criança sofredora, a única oração que me vem é a oração do porquê. “Senhor, por quê?” Ele não me explica nada. Mas eu sinto que Ele me olha. E assim eu posso dizer: “Tu sabes o porquê, eu não sei, e Tu não me o dizes. Mas Tu me olhas, e eu confio em Ti, Senhor, confio no teu olhar”.

Falando do sofrimento das crianças, não podemos esquecer a tragédia daqueles que passam fome.

Com a comida que sobra e jogamos fora, poderíamos dar de comer a muitos. Se conseguíssemos não desperdiçar, reciclar a comida, a fome no mundo diminuiria muito. Fiquei impressionado ao ler uma estatística que fala de 10 mil crianças mortas de fome a cada dia no mundo. Há muitas crianças que choram porque têm fome. Outro dia, na audiência da quarta-feira, atrás de uma barreira, havia uma jovem mãe com o seu bebê de poucos meses. Quando eu passei, a criança chorava muito. A mãe o acariciava. Eu lhe disse: “Senhora, acho que o pequeno tem fome”. Ela respondeu: “Sim, já está na hora”… Eu respondi: “Mas dê-lhe de comer, por favor!” Ela tinha pudor, não queria amamentá-lo em público, enquanto o papa passava. Eis, eu gostaria de dizer o mesmo para a humanidade: deem de comer! Aquela mulher tinha leite para o seu bebê. No mundo, temos comida suficiente para saciar a todos. Se trabalharmos com as organizações humanitárias e conseguirmos estar todos de acordo em não desperdiçar comida, fazendo com que ela chegue a quem dela precisa, daremos uma grande contribuição para resolver a tragédia da fome no mundo. Gostaria de repetir à humanidade o que eu disse àquela mãe: deem de comer a quem tem fome! Que a esperança e a ternura do Natal do Senhor nos sacudam da indiferença.

Alguns trechos da Evangelii gaudium atraíram-lhe as acusações dos ultraconservadores norte-americanos. Qual é a sensação de um papa ao ouvir que é definido como “marxista”?

A ideologia marxista é equivocada. Mas, na minha vida, eu conheci muitos marxistas bons como pessoas, e por isso eu não me sinto ofendido.

As palavras que mais chamaram a atenção são aquelas sobre a economia que ”mata”…

Na exortação, não há nada que não se encontre na Doutrina Social da Igreja. Eu não falei de um ponto de vista técnico. Eu tentei apresentar uma fotografia do que acontece. A única citação específica foi sobre as teorias da “recaída favorável”, segundo as quais todo crescimento econômico, favorecido pelo livre mercado, consegue produzir por si só uma maior equidade e inclusão social no mundo. Havia a promessa de que, quando o copo estivesse cheio, ele transbordaria, e os pobres seriam beneficiados com isso. O que acontece, ao invés, é que, quando está cheio, o copo magicamente se engrandece, e assim nunca sai nada para os pobres. Essa foi a única referência a uma teoria específica. Repito, eu não falei como técnico, mas segundo a doutrina social da Igreja. E isso não significa ser marxista.

O senhor anunciou uma ”conversão do papado”. Os encontros com os patriarcas ortodoxos lhe sugeriram algum caminho concreto?

João Paulo II falara de modo ainda mais explícito de uma forma de exercício do primado que se abra a uma situação nova. Mas não só do ponto de vista das relações ecumênicas, mas também nas relações com a Cúria e com as Igrejas locais. Nesses primeiros nove meses, eu recebi a visita de muitos irmãos ortodoxos, Bartolomeu, Hilarion, o teólogo Zizioulas, o copta Tawadros: este último é um místico, entrava na capela, tirava os sapatos e ia rezar. Senti-me seu irmão. Eles têm a sucessão apostólica. Eu os recebi como irmãos bispos. É uma dor ainda não poder celebrar a Eucaristia juntos, mas a amizade existe. Acredito que o caminho é este: amizade, trabalho comum e rezar pela unidade. Abençoamo-nos uns aos outros, um irmão abençoa o outro, um irmão se chama Pedro, e o outro se chama André,Marcos, Tomás…

A unidade dos cristãos é uma prioridade para o senhor?

Sim, para mim, o ecumenismo é prioritário. Hoje, existe o ecumenismo do sangue. Em alguns países, matam os cristãos porque carregam uma cruz ou têm uma Bíblia, e, antes de matá-los, não lhes perguntam se são anglicanos, luteranos, católicos ou ortodoxos. O sangue é misturado. Para aqueles que matam, somos cristãos. Unidos no sangue, embora entre nós ainda não consigamos dar os passos necessários rumo à unidade, e talvez o tempo ainda não chegou. A unidade é uma graça, que deve ser pedida. Eu conhecia um pároco em Hamburgo que acompanhava a causa de beatificação de um padre católico guilhotinado pelos nazistas porque ensinava o catecismo às crianças. Depois dele, nas filas dos condenados, havia um pastor luterano, morto pelo mesmo motivo. O sangue deles se misturou. Aquele pároco me contava que tinha ido ao encontro do bispo e lhe dissera: “Eu continuo acompanhando a causa, mas de todos os dois, e não só do católico”. Esse é o ecumenismo do sangue. Ele também existe hoje, basta ler os jornais. Aqueles que matam os cristãos não pedem para você a carteira de identidade para saber em qual Igreja você foi batizado. Devemos levar em consideração essa realidade.

Na exortação, o senhor convidou a escolhas pastorais prudentes e audazes com relação aos sacramentos. A que o senhor se referia?

Quando eu falo de prudência, não penso em uma atitude paralisante, mas sim em uma virtude de quem governa. A prudência é uma virtude de governo. A audácia também é. Deve-se governar com audácia e com prudência. Eu falei do batismo e da comunhão como alimento espiritual para seguir em frente, a serem considerados como um remédio, e não como um prêmio. Alguns logo pensaram nos sacramentos para os divorciados em segunda união, mas eu não entrei em casos particulares: eu só queria indicar um princípio. Devemos buscar facilitar a fé das pessoas, mais do que controlá-la. No ano passado, na Argentina, eu havia denunciado a atitude de alguns padres que não batizavam os filhos das mães solteiras. É uma mentalidade doente.

E quanto aos divorciados em segunda união?

A exclusão da comunhão para os divorciados que vivem uma segunda união não é uma sanção. É bom lembrar disso. Mas eu não falei disso na exortação.

O próximo Sínodo dos Bispos irá tratar disso?

A sinodalidade na Igreja é importante: falaremos sobre o matrimônio em seu conjunto nas reuniões do consistório em fevereiro. Depois, o tema será abordado no Sínodo Extraordinário de outubro de 2014 e, novamente, durante o Sínodo Ordinário do ano seguinte. Nesses âmbitos, muitas coisas serão aprofundadas e se esclarecerão.

Como procede o trabalho dos seus oito ”conselheiros” para a reforma da Cúria?

O trabalho é longo. Quem queria fazer propostas ou enviar ideias o fez. O cardeal Bertello recolheu os pareceres de todos os dicastérios vaticanos. Recebemos sugestões dos bispos de todo o mundo. Na última reunião, os oito cardeais disseram que chegamos ao momento de fazer propostas concretas, e no próximo encontro, em fevereiro, eles me entregarão as suas primeiras sugestões. Eu sempre estou presente nos encontros, exceto na manhã da quarta-feira, por causa da audiência. Mas eu não falo, apenas ouço, e isso me faz bem. Um cardeal idoso, há alguns meses, me disse: “O senhor já começou a reforma da Cúria com a missa cotidiana em Santa Marta”. Isso me fez pensar: a reforma começa sempre com iniciativas espirituais e pastorais, antes que com mudanças estruturais.

Qual é a relação certa entre a Igreja e a política?

A relação deve ser ao mesmo tempo paralela e convergente. Paralela, porque cada um tem o seu caminho e as suas diversas tarefas. Convergente, apenas em ajudar o povo. Quando as relações convergem primeiro, sem o povo, ou não se importando com o povo, começa aquele conúbio com o poder político que acaba apodrecendo a Igreja: os negócios, os compromissos… É preciso prosseguir paralelamente, cada um com o seu próprio método, as suas próprias tarefas, a sua própria vocação. Convergentes só no bem comum. A política é nobre, é uma das formas mais altas de caridade, como dizia Paulo VI. Nós a sujamos quando a usamos para os negócios. A relação entre a Igreja e o poder político também pode ser corrupta, se não converge no bem comum.

Posso perguntar-lhe se teremos mulheres cardeais?

É uma piada que saiu não sei de onde. As mulheres na Igreja devem ser valorizadas, e não “clericalizadas”. Quem pensa nas mulheres cardeais sofre um pouco de clericalismo.

Como está o trabalho de limpeza do IOR?

As comissões referentes estão trabalhando bem. O Moneyval nos deu um relatório bom, estamos no caminho certo. Sobre o futuro do IOR, veremos. Por exemplo, o “banco central” do Vaticano seria a APSA [Administração do Patrimônio da Sé Apostólica]. O IOR foi instituído para ajudar as obras de religião, missões, as Igrejas pobres. Depois se tornou como é agora.

Há um ano, o senhor podia imaginar que celebraria o Natal de 2013 em São Pedro?

Absolutamente não.

Esperava ser eleito?

Não esperava. Eu não perdi a paz enquanto os votos aumentavam. Permaneci tranquilo. E essa paz ainda existe agora, eu a considero um dom do Senhor. Terminado o último escrutínio, levaram-me ao centro da Capela Sistina e me perguntaram se eu aceitava. Eu respondi que sim, disse que me chamaria Francisco. Apenas então me afastei. Eles me levaram para a sala adjacente para trocar de hábito. Depois, pouco antes de me assomar, me ajoelhei para rezar por alguns minutos, juntamente com os cardeais Vallini e Hummes, na Capela Paulina.

Fonte: fratresinunum.com