conclusão: III- Carismáticos e Tradicionalistas em comunhão.

Para fazer tal conclusão desta série (Olhar crítico sobre a Crise na Igreja) formularei a minha opinião, e demonstrarei o quanto importante ter ambos os grupos na Igreja, tanto os Tradicionais, quanto o Carismáticos e como a Igreja comporta as duas espiritualidade sem que elas entrem em conflito com a sã doutrina.

Para quem não leu os artigos anteriores leia abaixo para ficar por dentro do exposto nesta série de artigos:

I-                    Olhar crítico sobre o tradicionalismo.

II-                  Olhar crítico sobre os movimentos carismáticos.

08Eu creio firmemente que ambos os grupos aqui citados têm plena condição não só de conviverem juntos, como também de agregar espiritualidade, racionalidade, piedade, missionariedade e vários outros valores imprescindíveis ao catolicismo, e aqui não quero fazer nem um papel de apaziguador, ou de pacifista, mas sim tentar mostrar a vocês que ambas as espiritualidades se completam, e não podemos jogar isso fora simplesmente por querer expor quem está mais ou menus certo, devemos sim criticar os abusos mas entender que os extremos de ambos os grupos citados não são a voz de todos as quais eles representam, os sedevacantes não são a voz da Tradição, assim como os progressistas não são a voz da carismaticidade.

As comunidades ou movimentos carismáticos há muito tempo neste país e fora dele vêm ajudando a evangelização com suas formas acolhedoras, estão devolvendo o humanismo que por hora faltou na Igreja, hoje vemos na sociedade uma sede não somente de dinheiro ou de caridade no todo que esta palavra engloba, mas também de sorrisos e abraços sinceros, tão palpáveis e reais quanto a racionalidade fria e calculista, mas se falta uma fundamentação mais sólida para os “por quês” dos movimentos e da espiritualidade carismática, falta também o reconhecimento apartir de todos do que estas contribuições feitas pela RCC ou outros grupos católicos neste seguimento estão fazendo em nome da Igreja, estão renovando a forma de ver o que é ser Cristão ou simplesmente trazendo em si aquilo que o cristianismo primitivo era; o ser acolhedor,  naquele tempo se entregava a vida, como oferta a Deus, elevando ao ultimo estágio o que é ser Cristão, o martírio. Hoje talvez muitos não necessitem pagar com sangue, mas no mínimo se faz com gestos não de entrega ao martírio mas de entrega ao outro, ao estranho, ao esquecido pela sociedade; então eu protejo sim estes movimentos, pois não só escrevo, mais vejo as obras feitas por estes, não há como negar que da periferia aos palácios, há alguém rezando hoje seja piedosamente ou espontaneamente com sua voz elevada, ambos de sua forma UNIVERSAL adoram o mesmo Deus e seguem as mesmas doutrinas eclesiais, mas em algum momento de suas vidas sendo ligando a TV ou indo à Igreja ou até mesmo passeando em qualquer lugar todos já viram jovens com bíblias e violões rindo e contagiando todos com suas alegrias que no fundo não passa de uma grande amizade com um toque de Deus.

-O Tradicionalismo, o que eu prefiro sinceramente, traz em sua espiritualidade a centralidade e o racionalismo, sua contribuição ao contrário dos movimentos carismáticos vai além deste século passado, mas sim de toda uma história de 2 mil anos, ela ensinou o homem como controlar seus sentimentos e entender que a emoção esta subordinada à razão e não o contrário, uma verdadeira fábrica de santos, e no contexto atual esta voltando aos holofotes católicos pelo desgaste feito pela fé sentimental que está sendo habituado em nosso meio, e pelos abusos claros e afrontadores que estão acontecendo; ela vem como bálsamo para alma que não deseja apenas um contato superficial com a fé e a doutrina católica. O seu racionalismo nos dá a segurança de estarmos pisando em um lugar firme, de estarmos depositando nossa esperança em um lugar realmente fundado por Deus. A Tradição está conseguindo devolver a todos os católicos que com ela entram em contato a percepção do sagrado e do respeito que devemos para com as coisas da Igreja, e que uma alma focada no silêncio tem muito mais controle sobre si.

09Enfim, para finalizar o artigo gostaria de descrever o que meu olhos viram na JMJ, muitos talvez não acharam que foi uma coisa boa, pois houve abusos, ou simplesmente por que seus egos e supostas piedades não lhe deixam aceitar. Eu vi naquela praia, naquele sábado o que eu tento escrever aqui hoje, se eu pudesse eu simplesmente levaria todos os leitores para aquele dia e mostrariam a vocês, uma rodinha de jovens brasileiros cantando com violão músicas católicas e freiras com hábitos da Austrália e padres de batina do Canadá sentados todos junto com estes jovens tentando compreender aquilo que eles cantavam com tanta alegria e devoção, e ao perceber que não conseguiam se comunicar e muito menos compreender a música caíram todos na gargalhada, ao ponto que todos ao redor foram se juntando contagiados por aquela alegria, católicos argentinos, Católicos espanhóis, japoneses, coreanos, angolanos, e sul-africanos e outros de tantos países que não consegui identificar, todos cantavam juntos ou tentavam ao menos; ao passo que se viam misturados hábitos, batinas, com calca jeans e bermudas, sapatos pretos, e havaianas, todos convivendo com alegria e comunhão, ali talvez aquele padre de batina que tinha vindo forçado pela sua diocese, tinha se esquecido do preconceito para com aqueles jovens carismáticos, e aqueles jovens que tinha medo, ou achavam aqueles religiosos “bitolados” demais, entenderam que eles eram sim seres humanos que sorriam e eram felizes, e que aquela roupa eclesiástica não os tornavam rabugentos, ali naquele sábado por volta das 18 horas eu vi duas realidades da Igreja que se convertiam e um só grupo em comunhão com a Igreja toda, e naquela hora quando todos resolveram silenciar os instrumentos para se rezar uma Ave-Maria eles entenderam e eu também o por que apesar de suas espiritualidades diferentes, todos se denominarem católicos.

Autor: Pedro Henrique Alves.

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One response to “conclusão: III- Carismáticos e Tradicionalistas em comunhão.

  1. Esse texto falou TUDO… muita gente acha que só porque você é da RCC você é modernista.. MENTIRA… Tem como vivem no movimento e ser tadicionalista SIM…Parabéns ao Pedro Henrique Alves.

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