Um deus chamado humor.

31Não é de hoje que constatamos uma espécie de emburrecimento social ou de uma cultura do simplório.  É de fácil constatação que a juventude como um todo está se afastando do conhecimento básico social para se aproximar do divertimento midiático sem sentido; É algo tão óbvio que me sinto até desconfortável de escrever algo tão claro. Mas hoje eu escrevo não para falar do problema social que é a “cultura da distração”, mas sim para falar de um deus que se levanta em nosso meio, e se auto-proclama estar acima do bem e do mal, comédia brutal.

Não sou nenhum especialista em comédia ou humor, mas fiz meu dever de casa. Existe um tipo de “humor” conhecido por nós como vulgo “fritada” que aqui no Brasil foi amplamente divulgada pela Multishow da companhia Globo de televisão, sob o comando do comediante Diego Portugal. O formato no qual se desenvolve o programa é o seguinte: um convidado especial é chamado a participar deste programa, onde humoristas convidados tem um determinado tempo para fazer piadas vexatórias por vezes humilhantes com suas vidas, carreiras, e até famílias. São xingamentos gratuitos e ofensas verdadeiramente horrendas a um artista convidado em troca de risadas do público presente, e no final desta humilhante sessão bruta de comédia fétida, o convidado especial tem a chance de devolver na mesma moeda as “piadas” feitas contra ele (a). Um estilo de humor verdadeiramente bárbaro e sem sentido algum, e a não ser a humilhação moral do alvo em questão, o humor autêntico é o que não busca ofender nem mesmo humilhar ninguém. Este tipo de comédia teve origem no Estados Unidos nos anos 20, mas ganhou destaque nos anos 60 através da televisão e lá (EUA) é conhecido com ‘Roasted’.

Mas o foco deste artigo não está no “fritada” em si. Eu toquei nesse assunto para explicitar a origem e inspiração para o humor que está em crescente no Brasil nos últimos anos; Não se trata do humor sadio, mas sim no humor sádico e agressivo, onde não são respeitados valores morais ou religiosos. É claro que todos já situaram minha crítica no grupo “Porta dos Fundos”, mas na verdade não venho falar especificamente deles, e sim, uma gama nova de comediantes que estão utilizando esta forma brutal e ridícula de humor nesta década, onde o bullying se tornou um crime contra liberdade. Irônico não acha? O fato é que estes grupos de “comédia” estão há muito tempo extrapolando o aceitável sem que não haja punição real para os mesmos. É32 de conhecimento midiático os processos reais em que estes comediantes respondem. Meses atrás, foi amplamente divulgado o processo contra o Rafinha Bastos que na época trabalhava na Rede Bandeirantes por usar do termo “Comeria ela e o filho” ao se referir a cantora Wanessa Camargo; Pouco tempo atrás o comediante Danilo Gentili ao fazer uma piada com os trens que levavam os Judeus para o campo de concentração em comparação aos ônibus metropolitanos, acabou por ferir o sentimento religioso dos mesmos. Agora o mais conhecido grupo de humor da internet denominado “Porta dos fundos” fez um especial de comédia com gozações agressivas e de um fundo preconceituoso enorme contra a religião Cristã; basta procurar durante 5 minutos no youtube comédias no estilo Stand UP para ver os níveis baixos do humor brasileiro.

Não quero ser hipócrita e dizer que nunca extrapolei o nível do aceitável em alguma suposta piada feita por mim, mas o que este artigo quer trazer a tona são os direitos básicos de proteção moral que o Estado deve oferecer a todos os grupos e pessoas quanto os valores reais deles a serem defendidos. Estes valores estão sendo simplesmente mastigados e cuspidos, em troca de um bando de bobos da corte que tem a missão de entreter uma gama de pessoas. Se chegarmos a tal situação que para o humor não há limites, e que ofensas podem ser proferidas, basta que no final o comediante coloque em seu discurso um tom de humor e pronto, “está tudo bem em ofender, pois a ofensa é descaracteriza pelo fato de ter sido feita em tom de piada.” ”Ridículo”, não há racionalidade e nem sentido nesta forma de pensar tão menos respeito mútuo, quando se fere o sentimento moral, religioso ou particular. Qualquer pessoa se sentirá ofendida se seus diretos básicos de respeito forem violados, não importando ser piada ou não; Esta atitude deve ser punida rigorosamente. Devemos entender que críticas racionais construídas em bases intelectuais, não são provocações vis e sem sentido. O que buscamos com tais debates e provocações argumentativas são o conhecimento da verdade e o enriquecimento intelectual através do tema debatido. Mas além do divertimento violador de direitos e senso de ética, qual o sentido de uma ofensa transvestida de piada? Talvez ainda se ache um especial de comédia com o intuito de consciência social sem ofensas gratuitas, mas na sua grande maioria é uma troca de ofensas sem sentido.

Ao mesmo tempo não vejo que campanhas de censura através de abaixo assinado, ou de movimentações para queda de patrocínio seja o caminho, ainda que possa assustar não terá uma ação diretamente punitiva, pois sempre haverá um menos racional para assisti-los, e sempre haverá também uma empresa que cega em seu enriquecimento está também “pouco se lixando” para moral e ética. Temos de conscientizar a todos e mostrarmos o nível baixo e fútil dessas piadas. Criaremos um povo pronto para pensar e não para se divertir em meio ao chiqueiro humorístico que acima me refiro!

Estamos vendo o nascimento de um deus, intitulado humor, um deus inatingível não importando o que se fale, não importando os níveis baixos de educação e senso a qual eles se expõem, não importando os limites da moral, nem do respeito… Um deus covarde que se esconde atrás de suas ofensas/piadas para não demonstrar suas frustrações. Estamos criando um monstro social onde não haverá mais limite para dizermos o que será certo ou errado. Tudo será apenas uma forma de ver, não haverá enfim um ponto estático para nos assegurarmos enquanto o que pode ou não pode se dizer, voltaremos as cavernas enfim, vivendo por instintos um pouco mais empobrecidos. É um dos poucos casos que nem com o mau exemplo podemos tirar um aprendizado. Deste escárnio pobre, se tira apenas o desprezo.

Autor: Pedro Henrique Alves

Revisora: Pâmela Hervatin

Bibliografia:

http://www.jacarebanguela.com.br/2010/03/04/fritada/ Acesso: 15/01/2014 as: 13:00

http://multishow.globo.com/Fritada/ Acesso: 15/01/2014 as: 13:38

Para Citar: ALVES, Pedro Henrique, Um deus chamado humor, acesse em:https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2014/01/15/um-deus-chamado-humor/

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One response to “Um deus chamado humor.

  1. Realmente, se você pegar um piadista e um grupo de pessoas e fazer ele ofender, todos vão rir, mas, se você juntar esse mesmo grupo e com uma pessoa comum dizendo as mesmas palavras do piadista, todos vão achar ruim e vão querer responder à ele…

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