Direito de Matar? A eutanásia e suas contradições.

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Nesta quinta-feira foi aprovada na Bélgica a lei que autoriza o assassinato de crianças, a eutanásia (ver a noticia aqui “site Veja”). Antes de começar realmente este artigo, gostaria de adentrar um pouco à Filosofia que nos ajudará a entender o porque realmente de a Igreja tanto dizer não à prática da eutanásia.

Aristóteles na sua obra Metafísica, fez distinção entre várias denominações filosóficas quanto ao significado: “ente” “essência”, “ser50”. ENTE é tudo que existe em quanto real, seja na esfera empírica ou na esfera do pensamento, ESSÊNCIA é o que delimita o ser de um Ente (aquilo o aquele é, por exemplo Cavalo, jumento, hipopótamo e etc.), o SER é o que somos em potência de fazer algo, por exemplo pensar, sentir; existem 3 subdivisões do “SER”.
O ser vegetativo = tudo o que não sente não se move e nem raciocina. 
O ser sensitivo = são os animais por exemplo, eles sentem, porém não raciocinam nem possuem alma. 
O ser Racional = somos nós (pelo menos espero). Nós somos mais dignos por possuirmos a capacidade de raciocinar e evoluir através do intelecto, ou seja, podemos fazer escolhas e não seguir meros instintos, temos a liberdade. Nossa dignidade vem do ser semelhante a Deus no que compete o poder de escolha, amar, sentir compaixão, criação e por ai vai.
Vocês devem estar se perguntando, tá ok Pedro mas IDAI? O QUE ISSO TEM A VER COM O TEMA? Tem a ver com o significado da vida; nós temos uma dignidade que nos foi dada através de Deus que é o poder da escolha, e da liberdade racional, a vida Humana tem valor imensurável, maior valor que os outros seres, o vegetativo e o sensitivo, tanto que ela (a vida humana) é em todas as sociedade, ou pelo menos deveria de ser, o bem mais protegido de todos conjuntos de leis de um Estado, quando vemos leis como da eutanásia sendo colocada como direito, ela se torna contraditória em sua origem, pois o bem maior de um homem é sua vida, e não cabe a nós administradores deste bem ou a nossos familiares dizerem se devemos ou não viver.  Pela Filosofia bem sabemos que o SER só existe porque um outro ser anterior a ele deu a sua existência, e este ser primeiro é Deus, sendo assim a vida e a dignidade 52de alguém não esta fundada em suas diretrizes de escolha, nem em votos democráticos, mas antes está na esfera da Lei natural imutável, pois a vida não é propriedade sua nem minha, só quem te deu pode tirá-la. Sendo assim, a eutanásia é assassinato e ponto final, seus argumentos caem no mínimo de filosofia possível, tentar justificar sua prática é por panos quentes em cima de matanças.
No dia que matar for objeto de direito, o que me dará o autoridade de dizer que um assassino é passível de prisão ou menos digno de liberdade que eu, sendo que, debaixo dos panos eu mato também diretamente ou indiretamente? A essência do assassinato é matar, e isso é imutável, não importa se está em estado terminal ou não, não é justificável o sofrimento nem deficiências, se não for assim, abriremos brechas maiores para que a morte não seja mais algo mau, e sim um direito de escolha, invertendo os valores reais, ousando tornar democrático o sentido de verdade, e assim, logo estaremos matando os velhos que não derem lucros ao Estado, os Índios e etc. Mudando apenas nominalmente o que hoje concebemos como assassinar não mudará a essência do ato matar. Não podemos fazer justiça partindo de princípio mal. Se as leis que são feitas para a proteção da sociedade se basearem no mal agir, a justiça perderá sua definição, foi o que aconteceu na Bélgica, também na Holanda e entre os países que aceitam a eutanásia.
 
No catecismo: Sejam quais forem os motivos e os meios, a eutanásia direta consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. É moralmente inadmissível.
Assim uma ação ou uma omissão que, em si ou na intenção, gera a morte a fim de suprimir a dor, constitui em assassinato gravemente contrário à dignidade da pessoas humanas e ao respeito pelo Deus vivo, seu Criador. O erro de juízo no qual se pode ter caído de boa-fé, não muda a natureza deste ato assassino, que sempre deve ser condenado e excluído.
Paragrafo: 2277
 
Autor: Pedro Henrique Alves
Revisora: Brenda Lorene

Para Citar: ALVES, Pedro Henrique, Direito de Matar? A eutanásia e suas contradições. acesse em: https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2014/02/15/direito-de-mat…s-contradicoes/

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One response to “Direito de Matar? A eutanásia e suas contradições.

  1. Muito bom o artigo! Achei muito interessante o fato de colocar conhecimentos filosóficos para a apresentação do tema. Realmente, se há leis assim, a vida se torna algo banal, podendo ser tirada faciilmente.

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