Liberdade, Vontade e desejo, saiba como ser livre.

108Vontade e desejo afinal são as mesmas coisas? Acho que esta pergunta é muito pertinente ao nosso tempo, pois vejamos, o nosso conceito de liberdade esta diretamente ligado a fazermos o que desejamos ou temos vontade, e não estar a preso a vínculos proibitivos ou dogmáticos, ser a pessoa mais livre seria supostamente ser sem amarras religiosas e morais. Alias, ser uma pessoa moral hoje em dia se tornou xingamento, quase que um sinônimo de fanatissísmo, mas será realmente que liberdade é fazer o que desejamos? Ou, será que vontade e desejo são a mesma coisa?

São aporias mais da metafísica do que da reflexão prática, mas devemos tentar consenti-la no mundo prático, se é que a filosofia especulativa nos dá esse direito. Vamos lá.

O que é vontade?

O que mais ocorre com a pseudo-filosofia moderna e “libertária” é confundir vontade com desejo, que não são as mesmas coisas, antes de explicar com profundidade isso, deixemos claro que a filosofia é um leque aberto que aceita contestações, mas não aceita burrices, então, se vai contestar, primeiro formule um argumento melhor que o meu.

A vontade não é um impulso irracional, animal, que vem dos mais sombrios anátemas ancestrais de nosso ser, ou com Jung diria de nosso subconsciente comum. A vontade é um raciocínio intelectual (obviamente, um raciocínio é intelectual é que não encontrei melhor maneira de acentuar o que eu quero dizer), antes de ser até mesmo racional, ele é ordenador, ou seja, ele busca dentro das possibilidades contingentes, isto é, das possibilidades que passaram, o melhor e o que mais se aproxima do bem maior, daquilo que ele busca como finalidade. Sendo assim, a vontade está sempre ordenada pela razão, em busca da melhor possibilidade de ação, e finalidade, ela é dirigida pelo intelecto para o melhor fim.

Por exemplo: “Quero me casar virgem.”

O que é o desejo?

O desejo é quase o oposto da vontade, quase. O desejo esta ligado a nossos impulsos irracionais, isto é, nossos instintos, como Freud diria: nosso libido –que para ele era regrado pelo desejo sexual–, mas não seria somente este, temos impulsos que são naturais a todos, são parte inscritas em nossos ser, em nosso gênero mais básico, o animal; exemplos de instintos comum a todos: o instinto reprodutivo, nutrição, defesa e de evolução, nossos desejos basicamente são direcionados nestes sentidos, veja, os instintos em si, não são ruins, mas suas consequências se deixarem de serem regrados pelas razão podem causar malefícios.

Exemplo de desejo: “Quero fazer sexo agora.”

O que é liberdade?

A liberdade consiste em regular os desejos com a razão. Na verdade antes de falar propriamente da liberdade, me sinto inclinado a fazer uma consideração que realmente foi esquecida por nossa sociedade moderna, sabe o que é? Não? Eu te conto: somos seres racionais, isto quer dizer que somos seres dotados do poder de escolha, podemos decidir entre comer ou não uma bola de sorvete, entre ir para direita ou para esquerda, sem ter um mero instinto nos guiando, aliás segundo São Tomás de Aquino, é justamente isto que nos dignifica e nos fazem ser superiores a outras raças de animais.

Segundo a clássica definição de humanidade feita por Aristóteles e repetida e aprimorada por Santo Agostinho, São Tomás entre outros escolásticos, somos “Animais Racionais”, não vou adentrar no porque disto mas bem porcamente explicando, temos instintos primitivos e animalescos básicos como, reprodução, nutrição, defesa e escolha, incutida em nós (veja, todos estes instintos estão focados na manutenção ou criação da vida, ou seja, a vida é a finalidade mais básica, e imposta em nosso ser, a lei natural mais básica de toda vida existente), mas além destes impulsos temos também a capacidade cognitiva intelectual, somos seres de razão, temos capacidade de pensar, refletir, e criar através desta capacidade, isto nos faz diferente de todas outras espécies, que são limitadas a instintos e capacidades básicas de memorização, que não chega a ser uma “intelectualidade”.

Depois desta introdução chegamos ao tema liberdade, justamente por termos a capacidade racional em nós, não somos guiados por meros instintos, e tenha sempre mente, é justamente esta capacidade de sermos racionais que faz de nós mais que um macaco, ou um cachorro (apesar deles também terem dignidade como criaturas do criador), sendo assim, tenhamos em mente também que vivemos em sociedade, isto é, temos que pensar, e fazer escolhas todos os momentos, pois, minha escolha pode interferir diretamente na liberdade do outro, ou seja, eu não vivo no caos, mas sim em um contexto de existência que requer de mim, que eu use desta minha capacidade da razão, para o bem convívio, e nisto poderíamos adentrar em outros assuntos que nem irei me deter que é a ética e a moral. Pois bem, se vivemos em uma sociedade de homens que nos exige o mínimo de racionalidade para regular nosso convívio, e isto quer dizer que não é bom sermos guiados meramente por desejos, ou que este (desejo) seja o principal ordenador de nossas escolhas, pois o desejo não requer em si uma ordem para realizar ações pautas em si, ele é na verdade a manutenção básica de nosso ser, que deveria vir a tona quando tivermos nossa existência ameaçada, e mesmo nestes casos, ela deve estar nem que minimamente sujeita a razão, os instintos deveria ser a defesa ultima de uma existência ameaçada, a ultima barricada e não o guia.

O desejo em suma é caótico, ele não visa uma finalidade, ele não pensa, o desejo é puro instinto, 0% racionalidade, ao contrário da vontade que é uma escolha ordenadora, ou seja, é uma escolha que visa um fim, que é característica do ser humano, buscar através do pensar, uma resolução de aporias, e uma felicidade, felicidade para qual aliás que todos nosso ser é direcionado segundo Aristóteles. A humanidade nossa consiste em encontrar o equilíbrio do desejo, este sempre deverá estar submisso a razão e a vontade que é expressão desta razão, sendo assim a liberdade não está ligada à simples desvinculação do desejo de qualquer ordenamento como se pensa. Isto na verdade é um perigo muito real, pois o conceito de liberdade nossa é justamente esta, de desejarmos ser libertos de ordenamentos e controles, quando na verdade os desejos por ele mesmo são caóticos e sem uma finalidade formada, ele geralmente resulta em resultados não desejados. O Caos é literalmente uma realidade sem nenhuma ordem, onde tudo está desconexo, e que não há como regulamentar uma mínima vivência, de seres racionais.

Para ser mais claro, usemos de exemplos, dois casais solteiros que resolvem se relacionar sexualmente, e guiados pelos seus desejos sexuais primitivos e desordenados e não pela razão, acabam por engravidar (fim não desejado), e como seu suposto direito a “liberdade de escolha” eles clamam por abortar a criança, que na verdade foi fruto dos destemperos, irracionalidade e falta de controle sobre seus instintos, assim sendo veja o caos, aquilo que deveria ser reservado a uma realidade matrimonial, é guiado instintivamente pelos desejos sem ser pautado na razão, acaba por culminar em uma realidade inesperada, onde agora, para tapar o buraco, ou estancar a ferida das escolhas erradas, se clamam por outro erro, o aborto, e interfere diretamente no conceito de justiça, pois o erro dos país vai recair com a pena dada ao filho, a sentença de morte, ou seja, o caos é instaurado.

A liberdade então consiste em ser dono de seus passos, em guiar-se por suas capacidades, em ser aquilo que você quer, na verdade ao clamar pelo direito de ser livremente guiados por desejos e não pela razão, isto consiste em uma prática legitima de sua liberdade, porém, a troca que faz é a seguinte, troco meus caminhos guiados por minhas capacidades racionais, para me tornar prisioneiro de meus instintos, se rebaixando assim a categoria de animal-irracional.

Exemplo de Liberdade: “Desejo fazer sexo agora, mas escolhi casar-me virgem, sendo assim, esperarei o casamento.”

Conclusão:

A liberdade consiste em poder ser livre de impulsos que te direcionam a permitividade, e ser construtor racional, e finalista de seus caminhos, em suma ser livre é construir seu caminho sabendo onde quer chegar, enquanto ser guiado por desejos é se jogar num poço escuro para ver no que vai dar, e esperar que aconteça coisas boas.

Ser livre está diretamente ligado a ser racional e instruído intelectualmente, isto te faz um homem menos manipulável e mais auto-suficiete, muitas pessoas ligam a singularidade a uma coisa má, mas Deus nos fez diferentes, não foi atoa, somos seres coletivos mas de caminhos a serem pautados em nossas escolhas individuais.

O maior dom de Deus foi a liberdade, e ele só, deu ela a  quem quer pensar.

Autor: Pedro Henrique Alves

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