Category Archives: Concilio Vaticano II

Padre converte uma cidade inteira pela sua batina!

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Levar a Deus todas as almas que seja possível”. O padre Michel Marie Zanotti Sorkine tomou esta frase a sério, e é o seu principal o objetivo como sacerdote.

É o que está a fazer depois de ter transformado uma igreja a ponto de fechar e de ser demolida na paróquia com mais vida de Marselha. O mérito é ainda maior dado que o templo está no bairro com uma enorme presença de muçulmanos numa cidade em que menos de 1% da população é católica praticante.

Foi um músico de sucessoA chave para este sacerdote que antes foi músico de êxito em cabarés de Paris e Montecarlo é a “presença”, tornar Deus presente no mundo de hoje. As portas da sua igreja estão abertas de par em par o dia inteiro e veste de batina porque “todos, cristãos ou não, têm direito a ver um sacerdote fora da igreja”.
Na Missa: de 50 a 700 assistentesO balanço é impressionante. Quando em 2004 chegou à paróquia de S. Vicente de Paulo no centro de Marselha a igreja estava fechada durante a semana e a única missa dominical era celebrada na cripta para apenas 50 pessoas. Segundo o que conta, a primeira coisa que fez foi abrir a igreja todos os dias e celebrar no altar-mor. Agora a igreja fica aberta quase todo o dia e é preciso ir buscar cadeiras para receber todos os fiéis. Mais de 700 todos os domingos, e mais ainda nas grandes festas. Converteu-se num fenômeno de massas não só em Marselha mas em toda a França, com reportagens nos meios de comunicação de todo o país, atraídos pela quantidade de conversões.
Um novo “Cura de Ars” numa Marselha agnóstica
Uma das iniciativas principais do padre Zanotti Sorkine para revitalizar a fé da paróquia e conseguir a afluência de pessoas de todas as idades e condições sociais é a confissão. Antes da abertura do templo às 8h00 da manhã já há gente à espera à porta para poder receber este sacramento ou para pedir conselho a este sacerdote francês.

Os fregueses contam que o padre Michel Marie está boa parte do dia no confessionário, muitas vezes até depois das onze da noite. E se não está lá, anda pelos corredores ou na sacristia consciente da necessidade de que os padres estejam sempre visíveis e próximos, para ir em ajuda de todo aquele que precisa.

A igreja sempre abertaOutra das suas originalidades mais características é a ter a igreja permanentemente aberta. Isto gerou críticas de outros padres da diocese mas ele assegura que a missão da paróquia é “permitir e facilitar o encontro do homem com Deus” e o padre não pode ser um obstáculo para que isso aconteça.

O templo deve favorecer a relação com DeusNuma entrevista a uma televisão disse estar convencido de que “se hoje em dia a igreja não está aberta é porque de certa maneira não temos nada a propor, que tudo o que oferecemos já acabou. No nosso caso em que a igreja está aberta todo o dia, há gente que vem, praticamente nunca tivemos roubos, há gente que reza e garanto que a85 igreja se transforma em instrumento extraordinário que favorece o encontro entre a alma e Deus”.

Foi a última oportunidade para salvar a paróquiaO bispo mandou-o para esta paróquia como último recurso para a salvar, e fê-lo de modo literal quando lhe disse que abrisse as portas. “Há cinco portas sempre abertas e todo o mundo pode ver a beleza da casa de Deus“. 90.000 carros e milhares de transeuntes passam e vêem a igreja aberta e com os padres à vista. Este é o seu método: a presença de Deus e da sua gente no mundo secularizado.

A importância da liturgia e da limpezaE aqui está outro ponto chave para este sacerdote. Assim que tomou posse, com a ajuda de um grupo de leigos renovou a paróquia, limpou-a e deixou-a resplandecente. Para ele este é outro motivo que levou as pessoas a voltarem à igreja: “Como é podemos querer que as pessoas acreditem que Cristo vive num lugar se esse lugar não estiver impecável? É impossível.”
Por isso, as toalhas do altar e do sacrário têm um branco imaculado. “É o pormenor que faz a diferença. Com o trabalho bem feito damos conta do amor que manifestamos às pessoas e às coisas”. De maneira taxativa assegura: ”Estou convicto que quando se entra numa igreja onde não está tudo impecável, é impossível acreditar na presença gloriosa de Jesus”.
A liturgia torna-se o ponto central do seu ministério e muitas pessoas sentiram-se atraídas a esta igreja pela riqueza da Eucaristia. “Esta é a beleza que conduz a Deus“, afirma.
As missas estão sempre cheias e incluem procissões solenes, incenso, cânticos bem cantados… Tudo ao detalhe. “Tenho um cuidado especial com a celebração da Missa para mostrar o significado do sacrifício eucarístico e a realidade da sua Presença”. “A vida espiritual não é concebível sem a adoração do Santíssimo Sacramento e sem um ardente amor a Maria”, por isso introduziu a adoração e o terço diário, rezado por estudantes e jovens.
Os sermões são também muito aguardados e, inclusive, os paroquianos põem-nos online. Há sempre uma referência à conversão, para a salvação do homem. Na sua opinião, a falta desta mensagem na Igreja de hoje “é talvez uma das principais causas de indiferença religiosa que vivemos no mundo contemporâneo”. Acima de tudo clareza na mensagem evangélica. Por isso previne quanto à frase tão gasta de que “vamos todos para o céu”. Para ele esta é uma “música que nos pode enganar”, pois é preciso lutar, a começar pelo padre, para chegar até ao Paraíso.
O padre da batina

Se alguma coisa distingue este sacerdote alto num bairro de maioria muçulmana é a batina, que veste sempre, e o terço nas mãos. Para ele é primordial que o padre ser descoberto pelas pessoas. “Todos os homens, a começar por aquela pessoa que entra numa igreja, tem direito de se encontrar com um sacerdote. O serviço que oferecemos é tão essencial para a salvação que o ver-nos deve ser tangível e eficaz para permitir esse encontro”.

Deste modo, para o padre Michel o sacerdote é sacerdote 24 horas por dia. “O serviço deve ser permanente. Que pensaríamos de um marido que a caminho do escritório de manhã tirasse a aliança?”.

84Neste aspecto é muito insistente: “Quanto àqueles que dizem que o traje cria uma distância, é porque não conhecem o coração dos pobres para quem o que se vê diz mais do que o que se diz”.

Por último, lembra um pormenor relevante. Os regimes comunistas a primeira coisa que faziam era eliminar o traje eclesiástico sabendo a importância que tem para a comunicação da fé. “Isto deve fazer pensar a Igreja de França”, acrescenta.

No entanto, a sua missão não se realiza apenas no interior do templo. É uma personalidade conhecida em todo o bairro, também pelos muçulmanos. Toma o café da manhã nos cafés do bairro, aí conversa e com os fiéis e com pessoas que não praticam. Ele chama a isso a sua pequena capela. Assim conseguiu já que muitos vizinhos sejam agora assíduos da paróquia, e tenham convertido esta igreja de São Vicente de Paula numa paróquia totalmente ressuscitada.

Uma vida peculiar: cantor em cabarés A vida do padre Michel Marie foi agitada. Nasceu em 1959 e tem origem russa, italiana e da Córsega. Aos 13 anos perdeu a mãe, o que lhe causou uma “fractura devastadora” que o levou a unir-se ainda mais a Nossa Senhora.

Com um grande talento musical, apagou a perda da mãe com a música. Em 1977 depois de ter sido convidado a tocar no café Paris, de Montecarlo, mudou-se para a capital onde começou a sua carreira de compositor e cantor em cabarés. No entanto, o apelo de Deus foi mais forte e em 1988 entrou na ordem dominicana por devoção a S. Domingos. Esteve com eles quatro anos, e perante o fascínio por S. Maximiliano Kolbe passou pela ordem franciscana, onde permaneceu quatro anos.

Foi em 1999 quando foi ordenado sacerdote para a diocese de Marselha com quase quarenta anos. Além da música, que agora dedica a Deus, também é escritor de êxito, tendo publicado já seis livros, e ainda poeta.

Fonte: Site Comunidade Corpus Christi

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Sem palmas na missa por favor!

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Olá caro leitores, eu como tinha prometido nas redes sociais estou preparando dois artigos um sobre as “Cruzadas” e outro sobre a “Teologia da Libertação” mas um assunto foi muito colocado esta semana em minhas mãos sobre a polêmica das palmas na santa missa; antes de qualquer coisa quero dizer que ao contrário do que eu faço rotineiramente eu procurarei neste artigo usar de reflexões não somente minhas, mas também de pessoas do clero, que darão mais credibilidade do que um simples “leigo” que sou, sempre baseio minhas reflexões nas sólidas doutrinas da Igreja, mas hoje deixarei escancarado isso, então espero que leiam e se aprofundem.

Sacralidade Histórica:

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A santa missa desde de o cristianismo primitivo, na teologia católica ela teve um único e específico sentido, que é reviver o sacrifício do calvário, nas palavras do mais renomado Biblista católico Scott Hahn: “Era a Eucaristia: a representação do sacrifício de Jesus Cristo, a refeição sacramental em que os Cristãos consumiam o corpo e o sangue de Jesus.” (Hahn, 2011. P 37), creio que até aqui não haja desavenças de opiniões, até porque se houver já estamos no âmbito da heresia, mas enfim, continuemos, sendo assim a igreja desde seus primórdios viu que se necessitava de uma certa “sacralidade” quando havia a eucaristia envolvido, afinal não era mero simbolismo, ou teatro mas sim o verdadeiro sacrifício de Jesus. A verdade é que os primeiros cristãos já tinha esta visão de que a eucaristia é sacrifício de Jesus, isto é um fato para os teólogos, é óbvio que cada um vivia a sacralidade que lhe era próprio de seu tempo, os primeiros cristãos não havia paramentos de ouro, nem vestes tecidas a linho nobre, pois eram perseguidos e não eram de poder aquisitivo elevado em sua maioria, mas havia o respeito único e primordial com o corpo de Cristo, é com certeza a contemplação algo típico dos primeiros cristãos, até por que os judeus em seus ritos previam regras quase que super-sacras, ao ponto de somente o sumo sacerdote ter contato com os “santo dos santos” prevendo um respeito divino para com os ritos. Chegando à idade média a Igreja se viu envolta de beleza, e presentes de reinos cristãos, presentes estes como ouro, terras, obras de artes e até catedrais feitas por reis em honra a suas devoções pessoais, através desta riqueza podendo assim elevar a eucaristia ainda mais ao nível de sagrado, agora adornando Jesus como um rei (Ap 1, 5), muito merecido dado as discrições do livro do apocalipse; para Scott Hahn e para a Igreja o apocalipse é a chave para compreensão da missa, e na missa vemos toda soberania descrita no apocalipse, Jesus como Rei, nossa Senhora como Rainha, os santos ao redor do cordeiro, os sete candelabros de ouro (Ap1, 12) até as vestes do sacerdote (Ap 1, 13).

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Você deve estar se perguntando mais o que tudo isso tem a ver com as palmas? Ora, tem tudo a ver, a missa tem dois princípios básicos quanto ao rito eucarístico, ela é o sacrifício de Jesus, e ela é solene pois representa o celeste, a céu na terra, ai vamos para o segundo tópico, sobre a essência da santa missa.

Missa e sua essência:

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A santa missa foi feita em para ser reflexiva e não festiva, foi feito para revivermos o dia do sacrifício, “0 mistério eucarístico disjunto da própria natureza sacrifical e sacramental deixa simplesmente de ser tal” (João Paulo II, 1980) este é o sentido mais intrínseco de sagrado e sacralidade Cristã, não supõe nem danças, palmas ou músicas que não contem melodias sacramentais, isto pode ser duro de ler para algumas pessoas, mas a essência da missa, não é festiva e sim reflexiva de alto grau de interioridade; diante da Cruz de Cristo ninguém mais bateu palmas a não ser os assassinos de Cristo.

Para dar mais credibilidade a minha fala, vamos ver o que Papa Bento XVI ainda como Cardeal Joseph Ratzinger disse:

“A dança não é uma forma de expressão cristã”. Já no século III, os círculos gnóstico-docéticos [portanto, uma Heresia!] tentaram introduzi-la na Liturgia. Eles consideravam a crucificação apenas como uma aparência: segundo eles, Cristo nunca abandonou o corpo, porque nunca chegou a encarnar antes da sua paixão; consequentemente, a dança podia ocupar o lugar da Liturgia da Cruz, tendo a cruz sido apenas uma aparência. As danças culturais das diversas religiões são orientadas de maneiras variadas – invocação, magia analógica, êxtase místico; porém, nenhuma dessas formas corresponde à orientação interior da Liturgia do “Sacrifício da Palavra”. É totalmente absurdo – na tentativa de tornar a Liturgia “mais atraente” – recorrer a espetáculos de pantomimas de dança – possivelmente com grupos profissionais – que, muitas vezes (e do ponto de vista do seu desígnio com razão), terminam em aplauso. Sempre que haja aplauso pelos atos humanos na Liturgia, é sinal de que a natureza se perdeu inteiramente, tendo sido substituída por diversão de gênero religioso. […] A Liturgia só pode atrair pessoas olhando para Deus e não para ela própria; deixando-O ingressar e agir.” (Ratzinger, 2010. P 146 – 147, grifos meus).

Influências negativas na compreensão de missa:

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A missa não suporta palmas, danças, shows, músicas, como solos de guitarras ou baterias de shows de rock ou ritmos profanos que sejam, ao passar do tempo pós concílio Vaticano II, tivemos uma grande influência pentecostal protestante nos movimentos carismáticos católicos, principalmente nas décadas de 70 à 90, em que não se previa tanto o uso reflexivo da razão para se amadurecer a fé, mas sim exaltar a emoção e por vezes até o extremo emocionalismo, e outra influência grande pós concilio Vaticano II foi o advento da teologia da libertação, também principalmente nas décadas de 70 à 90, que quis fazer da liturgia um convívio social destituído da hierarquia divina e trazer o transcendente para um mísero agir social imanente, ou um convívio de amigos que o que menos importava era a eucaristia como sendo o próprio Deus. Neste pano de fundo houve duas grandes deformações no campo eucarístico, a primeira foi a exaltação exacerbada da emoção e a quebra do silêncio reflexivo para se ter orações de cunho emotivas, muitas vezes tirando a atenção de Deus e colocando na forma de oração pentecostal; e a segunda deformação do espírito eucarístico provido pela Teologia da Libertação, foi o desprezo para com o sagrado, a queda do sentido de obediência e respeito para com a eucaristia e a liturgia, a destruição para com o seu significado  sacrificial singular para os católicos, a missa se tornou uma rotina superficial, ou encontros sociais, mas menos o comungar do Deus vivo e sacrificado no altar.

As palmas não são litúrgicas:

As palmas distraem, retira o momento solene de sacralidade e dispersa a atenção que deveria ser única e exclusiva a Deus para uma convenção social em massa (salva de palmas, ou danças). Bom, se você procura ser inteiramente fiel à Igreja e suas diretrizes, eis mais um motivo, o Missal não prevê palmas, logo se não prevê é porque não havia de se ter palmas na missa, o Missal é um “manual de missa” em que tudo que se refere à missa esta ali. Usando da lógica, se o que se vive no altar da santa missa é o sacrifício de Jesus, qual o sentido das palmas? Para quem quer argumentar que na missa africana existe a dança como algo previsto pelo Missal, o Cardeal Francis Arinze (Cardeal da Nigéria) fala sobre isso:

“As pessoas que estão discutindo dança litúrgica deveriam usar o seu tempo rezando o Rosário, ou (…) lendo um dos documentos do Papa sobre a Sagrada Eucaristia. Nós já temos problemas suficientes. Por que banalizar mais? Por que dessacralizar mais? Já não temos confusão suficiente?” (fonte, Grifos meus);

para finalizar as palavras de um Bispo brasileiro, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz, Bispo auxiliar de Niterói:

“Porque bater palmas é um gesto que dispersa e distrai das finalidades da missa gerando um clima emocional que faz passar a assembleia de povo sacerdotal orante à massa de torcedores, inviabilizando o recolhimento interior.” (fonte),

“Roma Locuta, Causa fina est” = “Roma falou, Caso encerrado” (Santo Agostinho), e ponto final.

Frase que marca:

“A liturgia não vive de surpresas simpáticas, de invenções cativantes, mas de repetições solenes. Não deve exprimir a atualidade e o seu efêmero, mas o mistério do Sagrado.” (Bento XVI, comentário a Carta Apostólica Domenica Caena)

Bibliografia:

HANH, Scott. O banquete do Cordeiro. 5º Edição. Edições Loyola: Ipiranga, SP

RATZINGER, Joseph. Introdução ao espírito da Liturgia. 3ª Edição. Paulinas: Prior Velho, Portugal.

Biblia Ave Maria, Edições de estudos. 3º Edição. Editora Ave Maria. São Paulo

PAULO II, João. Carta Apostólica Domenica Caena, 24/02/1980

http://ocatequista.com.br/archives/5571#sthash.QuKGAtCc.dpuf, acessado em: 31/05/2014.

, acessado em: 31/05/2014.

Autor: Pedro Henrique Alves

Revisora: Brenda Lorene

Para citar: ALVES, Pedro Henrique, “Sem palmas na missa por favor!”; <https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2014/05/31/sem-palmas-na-missa-por-favor/>

Série: Olhar Crítico sobre a crise na Igreja. I- Olhar Critico sobre o tradicionalismo.

06A Tradição católica vem em uma crescente impressionante dentro do catolicismo, podemos colocar vários fatores para isso mas o principal sem dúvida alguma é a superficialidade sentimental em que a fé pós Concilio Vaticano II acabou se transformando, a piedade tradicional tornou-se um porto seguro de aprofundamento espiritual e moral. Mas ao mesmo tempo pessoas que se acham em um nível espiritual ou intelectual mais avantajado que os outros, privatizam a Tradição transformando-a em um objeto a ser adorado, e impondo aos demais como se Deus necessitasse desta Tradição para nos salvar, e não nós que buscássemos a Salvação de Deus na Tradição. A distinção básica da teologia dada a Deus em suas características divina são: Onisciência, onipresença, e onipotência, sendo assim Deus mostra seu caminho através da Tradição como ponte segura para o endireitamento espiritual dos santos, mas não lhe impede de agir aonde ele bem entenda, sendo no meio carismático ou no meio Tradicional ou acabaríamos com essas concepções limitando Deus a um grupo de preferências. Bem sabemos que a Igreja Católica Romana é a única de Nosso Senhor Jesus Cristo e que fora dela não há salvação, mais ao mesmo tempo ele é o Deus de todos e Criador de tudo, não importando o que os não-católicos creiam nele ou não, pois sua soberania é Maior do que títulos e se ele quiser agir ele agirá.

Sendo assim vemos uma tendência fundamentalista católica, que ousa dizer quem esta salvo ou quem não esta, simplesmente por meras questões de vestimentas e sinais externos, ao passo que Deus é o martelo da salvação e não cabe a leigos ou padres (sem uma missão especifica eclesial) decidirem o que é certo ou errado quem é digno de salvação ou não, ou se é licito se alguém resolve participar de um grupo Tradicional ou Carismático. Chegam a tal ponto de uma suposta “fidelidade”, que não aceita nem mesmo a hierarquia apostólica da Igreja, e desprezam o Sumo Pontífice se os mesmos não dizem aquilo que eles esperam ouvir, acabam apoiado em seus egos demoníacos, e em suas racionalidades “exorbitantes” se achando no dever de serem novos pontífices de si mesmos ou de um grupo, acabando por se unir aos protestante fragmáticos diluindo a doutrina milenar nas suas constatações pessoais, lendo muitas vezes documentos medievais e dando a interpretação que lhe convém.

07A Tradição católica é a Tradição humanística mais bela que o mundo já viu, hoje suas catedrais góticas são visitadas, suas esculturas vendidas a preço de ouro, os maiores museus do mundo são de artes sacras, mas se diminuirmos a Tradição ao um mero vestir e julgar; toda sua beleza se esvai, e cai no pragmatismo religioso, não que a modéstia e o agir piedoso não seja recomendável justamente ao contrário deve se ensinar e propor, e eu pessoalmente pretendo ensinar meus filhos na forma clássica, menina usando véu, homem terno na santa missa, guardando dias de festas, rezando o santo terço, fazendo boas leituras, e etc. Mas quando tudo isso é “enfiado guéla abaixo” deixa de ter uma atitude evangélica. A Tradição por si só esta se reerguendo e sendo descoberta; a Tradição não é algo a ser imposto, mas sim explicado, proposto e difundido, precisamos mais do nunca deste ar de sacralidade que ela nos traz, não da mais para ficarmos a beira do sentir, e clamar o sobrenatural, sem que nós nos esforcemos a sermos respeitosos interno e externamente. A Tradição tem de se dialogar com a carismaticidade moderna, pois ser carismático na forma de orar não é pecado (se não contradiz nenhuma norma da Igreja), reconciliar o carisma Católico e a Tradição Católica é formar uma exercito na base firme que é a Doutrina milenar apostólica com a capacidade de dialogar, acolher e convencer o mundo moderno da veracidade Católica, e isso seria o grande agir católico no século XXI!

Aguarde 2° texto da série: Olhar Critico sobre a Crise da Igreja.

Autor: Pedro Henrique Alves

Jovens e a Tradição!

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A tradição, quanta beleza emerge dela, quanta santidade e histórias de vida, quantos exemplos e fé viva são transmitidas através dela. Eu, propriamente falando, a conheço há pouco tempo, mas foi amor à primeira vista, comecei olhando para vida dos santos mártires do primeiro século, depois para a Era Escolástica e a Razão na idade média, e depois para o todo, a fé transmitida desde o século 1 até os dias atuais, 2 mil anos de contínua uniformidade doutrinal, tanta coerência que chega a ser divina!

Neste artigo procurarei abordar a questão da tradição e como em meio as tentativas de modernização da Igreja ela esta ressurgindo por entre as cinzas da era progressista e revolucionária através dos jovens; mas a pergunta que não quer calar é, “por que entre os jovens sacerdotes, os leigos em um contexto de vivência pura da fé, estão acabando por voltar as práticas piedosas e tradicionais?” É uma pergunta realmente tentadora que eu tentarei responder. Eu conheci o que a Igreja pregava em grupos católicos da era pós Concílio Vaticano II, grupos carismáticos, e a fé e a base espiritual que tenho hoje, devo a eles, na verdade não sei afirmar onde estaria hoje se não fosse aquele grupo acolhedor que até hoje eu o sirvo como coordenador, enfim, mas com o passar do tempo me parecia que somente as orações carismáticas de louvor e profundo sentimentalismo já não me bastavam, eu queria ir além, eu queria um contato mais profundo, mais racional com a minha fé, comecei então um investimento que dura até hoje e com certeza irá durar para o resto de minha vida, os livros; livros teológicos de difíceis compreensão, até tratados litúrgicos e doutrinais, com estes livros então, descobri um universo jamais sonhado até então por mim, o universo da Tradição Católica, fui conhecendo a razão daquilo que eu até então aceitava por mera conveniência, e compreendi que havia uma resposta para aquilo que me assombrava racionalmente quando apenas orava por querer “sentir o sobrenatural”.

A minha história é apenas um fundo para compreendermos o caminho que a o catolicismo esta por fazer hoje, não estou dizendo que os movimentos carismáticos não tem o seu valor, óbvio que têm, um deles é o calor humano e a acolhida fraternal que falta aos mais tradicionais, nem estou dizendo que o progresso em certo sentido não é bom, somente se torna ruim quando ele interfere em questões doutrinais indissolúveis, seja pelo tempo ou opiniões pessoais, ao passo que o tradicionalismo extremo chega a ser tão cancerígeno quanto o progressismo liberal, o que o Concilio Vaticano II propôs ao mundo moderno, seria o diálogo e não a infestação mundana na Igreja e entendendo isto aos poucos, o guia fiel da Igreja, o Espírito Santo esta reconduzindo os fiéis à Tradição, não é difícil notar hoje a crescente valorização da modéstia, jovens optando por comungar de joelhos e na boca, contato isso em minha paróquia e em inúmeros relatos de padres amigos e leigos, a opção feita por padres de usarem trajes eclesiais tais como batina ou colarinho romano, aos poucos vemos a liturgia voltando a ser o centro da preocupação pastoral, ao passo que na exortação do Papa Francisco (Evangelii Gaudium) dedicou um capitulo inteiro a mostrar a centralidade do rito da missa, na eucaristia e não na homilia, enfim, a crescente valorização do sagrado esta sendo o contrário programado pela ala progressista da Igreja, jovens que usam trajes como ternos e mulheres vestidos comportados para irem à missa, garotas usando véu na santa missa em sinal de respeito ao seu querido esposo. Isso esta acontecendo pela percepção clara que não basta sentimentos para viver a fé e sim uma boa conduta externa e interna da vida espiritual, a contemplação da eucaristia, a beleza monumental do sagrado esta encantando os jovens, que estão cansando de superficialidade deste mundo, inclusive da superficialidade na Igreja, os jovens, querem algo profundo, querem um contato maior e mais efetivo que vai além do sentir, eles querem conhecer e interiorizar a fé, coisa que o progresso não trouxe, coisa que as novas concepções teológicas não conseguiram alcançar, basta apenas olhar para a sede juvenil de Deus e ver que a beleza da tradição é a resposta para o vazio de hoje que esta por muitas vezes sendo tapado com ideologias, filosofias modernas, ao passo que a tradição já deu a fórmula para a ansiedade espiritual do homem, a modernidade e a tradição se dialogam, mas não se corrompem!

Autor: Pedro Henrique Alves

Reviora: Brenda Lorene

Para Citar: Alves, Pedro Henrique, Jovens e a Tradição; Acesso em: https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2013/12/05/jovens-e-a-tradicao/

Monsenhor Lefrebve, Justo porém insensato.

02Acabo de assistir o Documentário sobre a vida e obra de Monsenhor Marcel Lefrebve(Link Para download no final do artigo), confesso que até antes de assistir tal documentário pouco sabia sobre ele e sobre a fraternidade por ele fundada  Fraternidade São Pio X. Me coloquei a ler alguns artigos em sites da Fraternidade e opiniões de vários autores; me reconforta saber que sempre foi um homem muito piedoso e zeloso pela Tradição, porém antes de opinar sobre suas atitudes vale a pena nos atentar que hoje existem organizações, congregações e Fraternidades conservadoras totalmente em comunhão com Roma para citar algumas: Instituto Bom Pastor, Franciscanos da Imaculada, Arautos do Evangelho, e outros mais que mesmo discordando de algumas posições do Concilio Vaticano segundo preferiram continuar na comunhão plena com a Santa Sé.

É de se notar o claro crescimento do tradicionalismo no catolicismo. Padres hoje mesmo que muitas vezes tendo uma péssima formação escolhem pelos trajes eclesiais tradicionais, e formação escolastica ou o crescente interesse dos fiéis pela missa no rito extraordinário, eu mesmo me coloco neste meio, cresci em uma paróquia bem progressista, porem nada tão escandaloso como vemos hoje em tantos lugares, fui me interessar pela Igreja através de movimentos carismático, como grupos de orações e células, porém via também o grande relativismo e descaso para com o sagrado, coisa que não aprendi em casa em uma família muito católica e de formação tradicional, aos poucos fui me interessando pela história da Igreja e não muito obstante a sua Tradição também me chamou muita atenção, ao passo que hoje sou um dos colunistas e escritores de blogs católicos que defendem a Tradição, conheço padre que estudaram em seminário progressistas porém que hoje optaram pela tradição, ou seja, a tradição vem sendo fomentada pelo próprio descaso feito pela ala progressista liberal, hoje é fácil ver jovens optando pela moralidade medieval, buscando a mortificação da castidade, buscando os trajes adequados para ir a Santa Missa, coisas que ao passo de 20 anos atrás o processo era o inverso, isso se da em minha opinião pela constatação quase que óbvia que a descristianização e o anticlericalismo esta causando a sociedade que já não aceita nada como errado ou certo, tudo se basearia na forma de ver tais situações, que é uma falácia facilmente desmentida, enfim a Tradição ao invés do que se constatava a umas duas décadas a trás esta ganhando força, e o sagrado esta se levantando das penumbras.

Porém havemos de encarar os fatos que o Concilio Vaticano segundo foi realmente um divisor de águas, e foi justamente no concilio Vaticano segundo que a figura de Marcel Lefrebve entra em cena para a mídia mundial, esse padre Francês que fazia parte do corpo dos padre conciliares se opunha ferozmente contra qualquer oposição progressista, ao lado do presidente do Santo Oficio Cardeal Otavinni, ao ponto de montar uma resistência conservadora dentro do concilio conseguindo até êxito em barrar certas mudanças propostas pela ala progressistas, porém nem tudo aconteceu como esperado e o ponto determinante na história deste homem é a promulgação do novo missal de Paulo VI que tinha fortes influência da teologia protestante, o Monsenhor então se opôs a este missal novo e renunciou a sua pratica, se detendo apenas ao rito antigo, com isso já conseguindo várias inimizades em Roma, quando este resolve fundar um seminário intitulado “Econe” para dar uma formação tradicional ao seminaristas até certo momento ganha apoio, mas depois com as opiniões sempre contrárias ao concilio Vaticano segundo acaba por ser censurado pelos bispos franceses ao ponto de  ter a aprovação Canônica do seminário ser retirada pela Santa Sé, a sua primeira afronta a Roma se da quando ele resolve então fundar a fraternidade São pio X, e as afrontas não pararam ai, foram vários  e vários conflitos doutrinais, até que então próximo a sua morte ele faz um documento e envia a Roma onde ele pede que ele possa sagrar um bispo para a fraternidade, e por a resposta estar demorando a chegar e com medo de que ele morra antes de poder deixar Bispos para dar continuidade a fraternidade, num ato cismático em 30 de Junho de 1988 ele sagra sem a autorização de Roma não um mas 4 bispos, e acaba por sofrer as sanções previstas deste ato, a excomunhão. Sua argumentação seria que ele estava próximo a sua morte e não poderia haver demora para esta sagração, porém ele mesmo só veio morrer 10 meses depois desta sagração e provavelmente antes disso já teria a resposta favorável de Roma para a sagração, ja que só faltava as partes burocráticas do documento.

Agora vem a minha opinião, considero Lefrebve um homem de virtudes reconhecíveis, um homem que realmente amou de toda alma a Tradição da Igreja, mas quando se comete um crime canônico o que era amor se transforma em cisma, vejo que os motivos e as aspirações de suas convicções são verdadeiras e autenticas, mas o cisma com a Igreja que ele tanto amava não era o caminho, é mas fácil reformar a Igreja de dentro para fora do que de fora para dentro, suas atitudes não podem ser justificadas para a salvação de sua fraternidade, se opor a Roma ao ponto de desobedece-la diretamente e abertamente, inclusive em seus discurso é uma afronta direta a autoridade Petrina reinante naquela época, ele aceitando ou não as mudanças do concilio é uma questão de opinião em quanto não se declara oficialmente levando a outros a se oporem a Roma em seu nome, quanta audácia. Não se justifica uma desobediência tal em nome de uma concepção privada que passa por cima do Santo Padre, ele mesmo admitiu nunca duvidar da validade papal, porém ao ter sagrado bispos sem autorização do Santo Padre se pós acima dele, como se fosse a ele as palavras de Jesus em Mateus 16, 18; ao falar de sua fraternidade ele dizia ter entregue a divina providencia mas como é real se em uma ato de desespero colocou sua fraternidade acima das autoridades romanas, não se trata de um pequeno deslize teológico ou doutrinal, se trata de uma afronta real e de frente; a virtude da obediência é mais heróica e eclesial do que o cisma, creio ser compreensível a sua atitude tanto que a excomunhão do bispos por ele sagrado foi retirada pelo Papa Bento XVI em 2009 mas não deixa de ser atabalhoada, uma decisão sem pensar nas consequências, temos de aprender muito com este bispo, muito mesmo, pois sua vida ao que parece foi justa e virtuosa, porém seu desrespeito direto há de ser condenado, mesmo que um dia cheguemos a conclusão que a necessidade desta sagrações era legitima isso não tornaria legitimo a desobediência direita dele a Roma, já que o mesmo confiava na divina providência não necessitaria em um ato extremo de cismar contra Cátedra de Pedro.

Homem justo com justas opiniões que se não fosse seu destempero ao sagrar desrespeitosamente bispos sem o consentimento de Roma seria um daqueles homens que eu pessoalmente o defenderia e escreveria sobre sua importância na luta pelo revigoramento do sagrado, porém mesmo com peso na alma nunca poderei defender alguém que de livre escolha optou não seguir a Roma, confio que mesmo que a barca de Pedro esta despedaçada pelos abusos, de homens que não estão nem ai pra ela, de porpurados que não sabem nem o que é uma liturgia, creio que essa barca é divina e que a promessa de Jesus a ela é eterna, Jesus esta com a Igreja até a consumação dos séculos, por isso eu estou com Roma, mesmo sem entender Pedro seguiu Jesus junto com mais onze discípulos, mesmo sem entender muitas coisas, eu prefiro estar na Barca, pois fora dela só há mar revolto e perdição, vira e mexe esta barca, as vezes até parece que a ira afundar pelas águas mundanas que entram nela, mas Jesus sempre no Final é quem vai se levantar de dentro desta mesma barca e mandar com sua autoridade divina que o mar se cale, por isso é burrice, é falta de fé não estar na comunhão com Roma.

Link para download do documentário da Vida de Lefrebve.

https://docs.google.com/uc?export=download&confirm=RLbt&id=0B0NsSY-Kua6gUmp2Z0hyZllzSjA

Créditos do Download: Apostolado Tradição em Foco.

Autor: Pedro Henrique Alves

O Cardeal Koch: “Vaticano II quis ser um Concílio de reforma e não de ruptura”

“O Vaticano II queria ser e foi um Concílio reformador: não quis uma Igreja nova que rompesse com a tradição, mas uma Igreja renovada”. Foi o que afirmou o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, no seu discurso publicado no L’Osservatore Romano, em vista da apresentação nesta terça-feira (12), na Sala Pietro de Cortona dos Museus Capitolinos, da obra sobre ‘Primado pontifício e episcopado’, dentro das comemorações dos 50 anos do Concílio.
O Cardeal Koch individua duas “tendências há tempos dominantes” em relação a este evento histórico para a Igreja, iniciado por João XXIII e encerrado por Paulo VI. “Ambas vêem no Concílio uma ruptura com a tradição da Igreja, numa dupla direção”, observou ele. “De um lado, as correntes progressistas continuam a compreender o Concílio como o fim da tradição eclesial precedente e o início de algo novo. Mas como ruptura com a tradição, o Vaticano II é interpretado também por correntes tradicionalistas, que o censuram por ter feito nascer uma nova Igreja, não mais idêntica àquela que existia até então”, explicou.
Para o Cardeal Koch, “não é uma mera coincidência que estas duas tendências extremas concordem em fazer uma distinção entre a Igreja pré-conciliar e a Igreja pós-conciliar, como se a Igreja não fosse mais a mesma, antes e depois do Concílio Vaticano II”.
Ao invés disto, para o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, “continuidade e renovação estão unidos, tradição e renovação se abraçam, porque o Vaticano II queria ser um Concílio não de ruptura, mas de reforma, elo de uma longa cadeia ligada à tradição e ao mesmo tempo aberto ao futuro”.
Fonte: Rádio Vaticano

A necessidade da Igreja Católica para a Salvação, Documentos do Concílio Vaticano II

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A tradição católica tem afirmado, constantemente, que a Igreja é necessária para a salvação, enquanto mediação histórica da obra redentora de Jesus Cristo. Essa convicção encontrou a sua expressão clássica no adágio de são Cipriano: “Salus extra Ecclesiam non est”87. (O Dogma “Extra Ecclesiam Nula Salus” foi promulgado em 1215 pelo IV Concílio de Latrão). O Concílio Vaticano II confirmou essa expressão de fé: “Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, (o Concílio) ensina que esta Igreja peregrina é necessária para a salvação. O único Mediador e o caminho da salvação é Cristo, que se nos torna presente no Seu Corpo, que é a Igreja. Ele, porém, inculcando com palavras expressas a necessidade da fé e do Batismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,5), ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Batismo como por uma porta. Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar ou nela perseverar” (Lumen gentium, 14). O Concílio se deteve, mais vezes, sobre o mistério da Igreja: “E porque a Igreja é em Cristo como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano” (Lumen gentium, 1); “Mas assim como Cristo consumou a obra da redenção na pobreza e na perseguição, assim a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho a fim de comunicar aos homens os frutos da salvação” (Lumen gentium 8), . “Ressurgindo dos mortos (cf. Rm 6,9), enviou aos discípulos o Seu vivificante Espírito, e por Ele constituiu seu Corpo, que é a Igreja, como sacramento universal de salvação” (Lumen gentium, 48). O que chama atenção nessa citação é o alcance universal do papel de mediação que realiza a Igreja ao conceder a salvação de Deus: “a unidade de todo gênero humano”, “a salvação de (todos) os homens”, “sacramento universal de salvação”.

Diante de novos problemas e situações e de uma interpretação exclusiva do adágio “salus extra ecclesiam non est”88 nos últimos tempos, o Magistério articulou uma compreensão mais matizada do modo como pode ser realizada uma relação salvífica com a Igreja. A alocução do Papa Pio IX, Singulari Quadam (1854), expõe com clareza as questões implicadas: “Em virtude da fé se deve manter, por conseguinte, que fora da Igreja apostólica romana ninguém pode ser salvo, enquanto ela é a única arca da salvação. Quem não entrar nela, perecerá no dilúvio. Porém, deve-se, igualmente, ter como certo que aqueles que vivem em ignorância da verdadeira religião, e se esta ignorância é invencível, eles não estão implicados, por isso, em culpa alguma ante os olhos do Senhor”89.

Esclarecimentos posteriores oferece a Carta do Santo Ofício ao Arcebispo de Boston (1949): “Dado que não se requer sempre, para que um obtenha a salvação eterna, que esteja realmente (reapse) incorporado como membro da Igreja, mas se requer, pelo menos, que ele adira a mesma com o voto ou o desejo (voto et desiderio). Porém, não é necessário que esse voto seja sempre explícito, como sucede com os catecúmenos, mas quando o homem sofre de uma ignorância invencível. Deus aceita também um voto implícito, chamado com tal nome, porque é obtido com aquela boa disposição da alma pela qual o homem quer a sua vontade esteja conforme a vontade de Deus”90.

A vontade salvífica universal de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo, que compreende a Igreja como sacramento universal de salvação, encontra expressão no Concílio Vaticano II: “Todos os homens, pois, são chamados a esta católica unidade do Povo de Deus, que prefigura e promove a paz universal. A ela pertencem ou são ordenados de modos diversos quer os fiéis católicos, quer os outros crentes em Cristo, quer, enfim, todos os homens em geral, chamados à salvação pela graça de Deus” (Lumen gentium, 13). Que a mediação única e universal de Jesus Cristo se realiza no contexto de uma relação com a Igreja é ulteriormente reiterado pelo Magistério pontifício pós-conciliar. A propósito daqueles que não tiveram a oportunidade de chegar a conhecer ou de acolher a revelação do Evangelho, até, neste caso, a Encíclica Redemptoris missio tem a dizer: “A salvação de Cristo torna-se acessível em virtude de uma graça, (dotada de) uma misteriosa relação com a Igreja”91.

Vejamos o que a Igreja fala sobre a salvação perante as “igrejas e comunidades separadas.”

“… as Igrejas e Comunidades separadas, embora creiamos que tenham defeitos, de forma alguma estão despojadas de sentido e de significado no mistério da salvação. Pois o Espírito de Cristo não recusa servir-se delas como de meios de salvação cuja virtude DERIVA da própria PLENITUDE  de Graça de VERDADE  confiada à IGREJA CATÓLICA.

Contudo, os irmãos separados, quer os indivíduos quer as suas Comunidades e Igrejas, NÃO gozam daquela unidade que Jesus quis prodigalizar a todos os que regenerou e convivificou  num só corpo e numa vida nova e que a Sagrada Escritura e a venerável Tradição da Igreja professam. Porque SÓ pela IGREJA CATÓLICA de Cristo, que É O MEIO GERAL DE SALVAÇÃO, pode ser atingida TODA a plenitude dos meios salutares. Cremos também que o Senhor confiou TODOS os bens da Nova Aliança AO ÚNICO COLÉGIO APOSTÓLICO, cuja testa está em Pedro, com o fim de constituir na terra um só Corpo de Cristo. É NECESSÁRIO que a ele se incorporem plenamente TODOS  os que de alguma forma pertencem ao Povo de Deus”

Concílio Vaticano II, Unitatis  Redintegratio, Parágrafo3. (Documento sobre o Ecumenismo)

Salvação por “Ignorância Invencível”

Quando a Igreja nos toca pelos Sacramentos, é o próprio Cristo que nos toca. Jesus disse aos Apóstolos (hoje os bispos): “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou’ (Lc 10,16). Desprezar a Igreja e seu magistério sagrado, é desprezar a Cristo. Disse o Papa Paulo VI que “quem não ama a Igreja, não ama a Jesus Cristo”.
São Paulo na Carta a S. Timóteo diz que: “Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4), e afirma em seguida que: “A Igreja é a coluna e o fundamento da verdade”. (1Tm 3,15)
O Catecismo afirma que: “A única Igreja de Cristo… subsiste na Igreja católica, governada pelo sucessor de Pedro e pelos bispos em comunhão com ele… (LG 8 ).” (§870)
A Igreja é apostólica: está construída sobre “Os doze Apóstolos do Cordeiro” (Ap 21,14); ela é indestrutível (Mt 16,18); é infalivelmente mantida na verdade (Jo 14,25; 16,13; §869)

Para manter a Igreja isenta de erros de doutrina “Cristo quis conferir à sua Igreja uma participação na sua própria infalibilidade, ele que é a Verdade.” (LG 12; DV 10).
Mas o Catecismo explica que: “Aqueles, portanto, que sem culpa ignoram o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com o coração sincero e tentam, sob o influxo da graça, cumprir por obras a sua vontade conhecida através do ditame da consciência, podem conseguir a salvação eterna”. (§848) Nesse caso, entra a Salvação por Ignorância Invencível.

“Jesus Cristo é o único mediador e caminho da salvação, mas Ele se torna presente para nós no seu Corpo, que é a Igreja. Ele, mostrando a necessidade da fé e do batismo para a nossa salvação [Mc16,16 – “Quem crer e for batizado será salvo…”], ao mesmo tempo confirmou a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo batismo, como que por uma porta. Diz o Catecismo que:

“Por isso não podem salvar-se aqueles que, sabendo que a Igreja Católica foi fundada por Deus através de Jesus Cristo como instituição necessária, apesar disso não quiserem nela entrar, ou então perseverar (LG 14)”. (Cat. §846)

Nesse caso, já não seria mais a Ignorância Invencível, porque sabem da verdade, mas preferem IGNORA-LA. “

Para citar: Site do Vaticano
Última parte: Prof.: Felipe Aquino