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Estruturas de uma Igreja Santa: Crise na Igreja, por que?

Introdução:

72A Igreja vive uma crise eclesiológica clara e perceptível a olho nu, há anos a Igreja era respeitada e venerada como o caminho seguro para a salvação, seus dogmas não eram encarados como perca de liberdade, pois a liberdade sempre esta no âmbito de escolher em ser ou não ser católico, seus sacramentos eram como pedaços do céu dado de graça por Deus através da Igreja, suas doutrinas eram sabedoria, uma sapiência transformada e divinizada pela Igreja. Mas o que houve? O que aconteceu? Por que a Igreja hoje é vista como um antro de hipocrisia e tradições antiquadas, uma instituição sem funções? Tenho bem certo em minha mente que sou muito limitado para dar uma resposta final para estas questões, mas nada me impede de tentar, faço deste artigo sequência de artigos sobre “Estruturas de uma Igreja santa” que visa explicar pontos importantes das bases da Igreja e de sua missão.
São dois os tópicos argumentativos que eu desenvolverei, leia-os atentamente e veja se isso não ocorre em sua paróquia.

Degradação teológica:
A Igreja Católica tem uma realidade histórica, ela é a única Igreja que tem uma sucessão direta do apóstolo Pedro, o primeiro papa (Mt 16, 18) até papa Francisco, no total 266 Papas guardaram o rebanho de Cristo durante estes dois mil anos de história eclesial, mas existe outra realidade, uma realidade teológica que alguns teólogos se fizeram de esquecidos sobre este assunto, a que a Igreja tem uma realidade mística, a realidade mais bela que pode existir na Igreja Romana, a que Cristo não somente fundou sobre Pedro, mas que se tornou verdadeiramente a própria Igreja, vemos isto comprovado em várias passagens bíblicas, (1Cor 12, 12); (Cl 1, 18); (Ef 5, 23); (Rm 12, 4-5), em Colossenses 1, 18 lemos: “Ele (Jesus) é a Cabeça do corpo que é a Igreja”, se Ele é a cabeça, logo ele é o corpo todo, a não ser que em uma realidade alternativa existam corpos em cabeças que não lhe pertencem, ou seja, quando pregamos a obediência à Igreja, pregamos não a obediência a uma instituição, ou uma ONG, ou seitas, mas sim uma obediência ao próprio Cristo, que por seu corpo une Igreja terrena e Igreja celeste. Isto esta sendo esvaziado por um egocentrismo enorme em que cada teólogo ou cada agente pastoral acha que é dono da Igreja e que seus desejos são ordens, para estes a Igreja não é mais 70que uma instituição empresarial ou uma cooperativa.
Esta verdade que Cristo é a própria Igreja é o que valida por exemplo os seus sacramentos, suas ordenações sacerdotais (afinal foi Cristo quem escolheu seus discípulos e apóstolos), dogmas e doutrinas, somente com a certeza de que é o próprio Cristo que nos ordena e exorta através da Igreja e seu magistério é que poderemos então confiar nossa obediência e submissão. Se Cristo não é a Igreja como é possível a Igreja oferecê-lo na eucaristia? Se não é Cristo a Igreja, como ela poderia batizar? Se não é Cristo a Igreja qual a valia de suas palavras e suas ações? Existe somente um Senhor ao qual pôr a nossa Confiança, e deste mesmo Senhor só podemos professar uma fé, um só batismo, uma só Igreja (Efésios 4, 5).

Degradação missionária:

A segunda realidade que parece estar esquecida pelos teólogos é a que a Igreja é antes lugar de refúgio espiritual e não social, porém a Igreja pode e deve sim interferir na política e deve mais ainda ajudar e promover causas sociais, em favor dos pobres, doentes e os menos favorecidos, não é à toa que é a maior instituição caritativa do mundo, (fonte: Conselho Pontifício –Cor Unum, organismo da Igreja encarregado de manter e promover obras caritativas no mundo todo). Porém sua função primordial é salvar as almas, livrar o rebanho das garras perniciosas do inimigo, não estou dizendo que a fome, a guerra, os maus tratos e agressões a desmoralização do ser humano não devam ser tratados pela Igreja, pelo contrário, mas digo que antes disso é obrigação 68primordial da Igreja (enquanto magistério) manter-se firme e fiel a Cristo, pois Jesus veio a terra para morrer na cruz e nos livrar do julgo do pecado, saciou a fome, mas libertou os endemoniados também, não negou seu corpo a dor pois sabia que a alma é o maior bem, afinal “que adianta alguém ganhar o mundo inteiro se perde a tua alma?” (Mc 8, 36) “do que adianta acabar com a sede de vinho sem acabar sede da água viva?” (João 4, 10) Do que adianta dar pão e negar o corpo de Cristo? Afinal um dia este mundo passará, a sede passará a fome passará.
A Igreja não existe para acabar com os problemas do mundo, mas para livrar o seu povo do mundanismo, Paulo em Romanos 12, 2 exorta que não devemos nos conformar com este mundo, isto é, não devemos ficar alheios aos problemas da humanidade, não devemos cruzar os braços e fingir que esta tudo bem, mas no mesmo versículo ele da a chave para mudar a realidade, “mas TRANSFORMAI-VOS, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus,” isto é, se queres mudar a realidade social, mude antes a si mesmo, a maneira de pensar e julgar, e aí que a Igreja entra com seu papel, e neste âmbito interior e espiritual que a Igreja trabalha com maestria, e depois de santificarmos, tornar o mundo um lugar melhor é automático. Vemos esta realidade claramente nos mártires que não reclamaram em passar fome ou sede por conta de Cristo, mas antes de tudo sacrificou sua carne para salvar sua alma. E não é com trâmites políticos, ou jogatinas entre sistemas capitalista ou socialista que virá a salvação, mas sim através da evangelização e catequização correta. Sacie a fome sim, mas também de salvação. É nesta verdade que se apoia o Dogma “Fora da Igreja não há salvação”,  que é o mesmo que dizer “Fora de Cristo (Igreja) não há Salvação”.

Conclusão:

71Enfim, se os teólogos perderem estas duas dimensões eclesiológica a Igreja se reduzirá em uma reunião de congregantes, ou um bando de bobos vivendo um conto de fadas, e ela é mais que isso, ela é o próprio Cristo, simplificar os ritos, desmembrar a tradição e a autoridade magistral, ou até mesmo pregar abertamente contra seus ensinamentos, além de ser apostasia, é uma estratégia muito bem elaborada pelos inimigos da Igreja, principalmente pelos teólogos da libertação, que querem tornar a Igreja em um tubo de ensaio marxista, ninguém é obrigado a ser católico, mas se o é, respeite suas diretrizes sagradas, seus mandatários instituídos, e o seu líder terreno, o Santo Padre. Me parece ridículo tentar mudar seus ensinamentos, isto é possível em outras Igrejas, na Católica não, Cristo é o mesmo hoje, amanhã e sempre, respeita o tempo, e nos comunica com a linguagem atual, porém não muda sua essência. A Igreja não tem que se adequar, moldar ou se submeter a julgos de ninguém, se queres uma Igreja mutável é possível achar uma em cada esquina, com nome e doutrinas a suas escolhas. Mas se queres seguir um Deus dentro de sua casa, será debaixo de suas leis, através de seus escolhidos; o termo obediência não suprime ninguém, afinal colocar cercas no limite do penhasco não é tirar a liberdade, afinal se quiseres você pula a cerca, mas é dizer que além daquele limite existem perigos. Basta escolher, ser obediente a Cristo através da Igreja, ou ser obediente ao seu ego através de seus achismos.

Autor: Pedro Henrique Alves
Revisora: Brenda Lorene

Para citar: ALVES, Pedro Henrique, Estruturas de uma Igreja Santa: Crise na Igreja, por que? acesso em: https://proecclesiacatholica.wordpress.com/2014/04/20/estruturas-de-…igreja-por-que/

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